08 fevereiro 2007

A propósito de Etnocentrismo e Multiculturalismo...










Lágrima de Preta

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

António Gedeão

05 fevereiro 2007

Ética Prática, de Peter Singer, Editora - Gradiva

Nesta obra Peter Singer, de modo claro e incisivo, enfrenta alguns dos grandes desafios éticos do nosso tempo. Trata-se dos desafios éticos impostos pela fome no mundo, pelo equilíbrio ecológico do planeta, pela exigência de igualdade e pela moderna ciência médica, entre outros. Que posições poderemos defender com respeito à eutanásia e ao aborto? E relativamente aos refugiados e à ajuda internacional aos países do Terceiro Mundo? E quanto aos animais? Teremos o direito de os fazer sofrer só para satisfazer o nosso prazer? Que desafios nos levanta uma sociedade verdadeiramente igualitária?
Com o referendo sobre a legalização do aborto já no próximo Domingo, é mais um excelente documento esclarecedor (embora não isento) sobre esta questão sempre polémica e, por vezes, pervertidamente discutida.
É, por isso, um livro de leitura obrigatória para estudantes de filosofia mas também de um interesse público indesmentível, constituindo ponto de reflexão fundamental para todos os que se preocupam com os grandes problemas éticos do nosso tempo contemporâneo.

A solidez de um argumento

Um argumento pode parecer sólido e não ser. Porque podemos estar enganados ao pensar que as suas premissas são todas verdadeiras. Certo? Mas não podemos estar enganados sobre a plausibilidade das premissas: o plausível é, por definição, a nossa avaliação de uma dada proposição, não é uma medida objectiva de probabilidades.
Para ser bom ou cogente, um argumento tem de ter três condições (que todavia talvez não sejam suficientes): validade, verdade das premissas e premissas mais plausíveis do que a conclusão. Basta falhar uma destas condições e o argumento não é bom. Assim, um argumento pode parecer bom sem o ser porque, apesar de válido e apesar de ter premissas mais plausíveis do que a conclusão, tem premissas falsas. Imagina o seguinte argumento, apresentado no tempo de Ptolomeu:

Se a Terra se movesse, sentiríamos o movimento.
Mas nós não sentimos o movimento.
Logo, a Terra não se move.

Este argumento é válido. E uma pessoa, no tempo de Ptolomeu, poderia achar que as premissas são mais plausíveis do que a conclusão. Afinal, nós hoje só sabemos que a premissa 1 é falsa porque temos uma teoria complexa que nos explica por que razão não sentimos tal movimento. Assim, aqui temos um argumento válido com premissas mais plausíveis do que a conclusão e que muitas pessoas poderiam considerar bom ou cogente no tempo de Ptolomeu. Mas essas pessoas estariam decerto enganadas. Não queremos com certeza aceitar que este argumento é realmente bom — pois se o fosse, teríamos de aceitar a sua conclusão. Por outro lado, é óbvio que o argumento é válido. E tem premissas mais plausíveis do que a conclusão, pelo menos quando as pessoas estão num dado estado cognitivo (como Ptolomeu estava). O que falha, então? Falha a premissa, que é falsa, sem que os ptolemaicos o soubessem. Mas o argumento não é menos mau só porque eles não sabiam que a premissa é falsa. O argumento é mau, precisamente porque não é sólido — mas eles não sabiam que não era sólido.
Desidério Murcho

25 janeiro 2007

Ética do Aborto, tradução de Pedro Galvão

Para uma argumentação esclarecida!
Será que abortar um feto humano é como assassinar um de nós? Este é o problema ético do aborto e é nele que incidem os seis ensaios aqui reunidos. Três dos autores defendem uma posição pró-escolha; os outros três defendem a posição pró-vida. Este livro proporciona assim uma introdução aos aspectos centrais do debate do aborto, dando a conhecer os melhores argumentos que cada uma das partes tem para oferecer. Autores: Judith Thomson, Stephen D. Schwarz, Michael Tooley, Harry Gensler, Don Marquis e David Boonin. Editora: Dinalivro

Estamos condenados a ser livres?

Jean-Paul Sartre

Nós estamos sós, sem desculpas. É isso que eu exprimo quando digo que o homem está condenado a ser livre. Condenado porque não se criou a si próprio e, por outro lado, livre porque, uma vez lançado no mundo, é responsável por tudo aquilo que faz.

Jean-Paul Sartre, O existencialismo é humanismo

Programação das AULAS DE FILOSOFIA - RTP Madeira com o Prof. Rolando Almeida

Podes aceder às aulas de Filosofia da RTP Madeira, lecionadas pelo Prof. Rolando Almeida (na foto), acedendo aos links abaixo.  TELENSINO (R...