06 março 2007
O que é a Moral?
Estamos enganados acerca da moral. Ela não existe basicamente para punir, para reprimir, para condenar. Para isso há tribunais, polícias, prisões, e ninguém os confunde com a moral. Sócrates morreu na prisão, sendo todavia mais livre que os seus juízes. É talvez aqui que a filosofia começa. É aqui que a moral começa, para cada qual, e recomeça sempre: onde nenhuma punição é possível, onde nenhuma repressão é eficaz, onde nenhuma condenação, pelo menos exterior, é necessária. A moral começa onde nós somos livres: ela é a própria liberdade, quando esta se julga e se dirige.Querias roubar aquele disco ou aquela peça de roupa numa loja... Mas há um vigilante que te observa, ou um sistema de vigilância electrónica, ou tens simplesmente medo de ser apanhado, de ser punido, de ser condenado... Não é honestidade; é calculismo. Não é moral; é precaução. O medo da autoridade é o contrário da virtude, ou é apenas a virtude da prudência.
Imagina, pelo contrário, que tens esse anel de que fala Platão, o famoso anel de Giges que te torna invisível quando queres... É um anel mágico que um pastor encontrou por acaso. Basta rodar o anel e voltar o engaste para o lado da palma da mão para a pessoa se tornar totalmente invisível, e rodá-lo para o outro lado para voltar a ficar visível... Giges, que era um homem honesto, não soube resistir às tentações a que este anel o submetia: aproveitou os seus poderes mágicos para entrar no Palácio, seduzir a rainha, assassinar o rei, tomar o poder e exercê-lo em seu exclusivo benefício... Quem conta a história n'A República [uma das obras de Platão] conclui que o bom e o mau, ou supostos como tais, não se distinguem senão pela prudência ou pela hipocrisia, ou, dito de outra maneira, pela importância desigual que atribuem ao olhar dos outros ou pela sua maior ou menor habilidade em se esconder... Possuíssem um e outro o anel de Giges e nada os distinguiria: «tenderiam ambos para o mesmo fim». Isto é sugerir que a moral não é senão uma ilusão, um engano, um medo disfarçado de virtude. Bastaria podermos tornar-nos invisíveis para que qualquer interdição desaparecesse, e não houvesse senão a procura, por parte de cada um, do seu prazer ou do seu interesse egoístas.Será isto verdade? Claro que Platão está convencido do contrário. Mas ninguém é obrigado a ser platónico... Para ti, a única resposta válida está em ti mesmo. Imagina, como experiência de pensamento, que tinhas esse anel. Que farias? Que não farias? Continuarias, por exemplo, a respeitar a propriedade dos outros, a sua intimidade, os seus segredos, a sua liberdade, a sua dignidade, a sua vida? Ninguém pode responder por ti: esta questão só a ti diz respeito, mas diz respeito a tudo o que tu és. Tudo aquilo que não fazes, mas que te permitirias se fosses invisível, releva menos da moral que da prudência ou da hipocrisia. Em contrapartida, aquilo que, mesmo invisível, continuarias a obrigar-te ou a proibir-te, não por interesse mas por dever, só isso é estritamente moral. A tua alma tem a sua pedra de toque. A tua moral tem a sua pedra de toque, pela qual te julgas a ti mesmo. A tua moral? Aquilo que exiges de ti, não em função do olhar dos outros ou desta ou daquela ameaça exterior, mas em nome de uma certa concepção do bem e do mal, do dever e do interdito, do admissível e do inadmissível, enfim, da humanidade e de ti. Concretamente: o conjunto das regras às quais te submeterias mesmo que fosses invisível e invencível.
André COMTE-SPONVILLE (na foto)
Apresentações da Filosofia, p. 27-35
28 fevereiro 2007
Quem foi Platão?

Platão (428/427 a.C – 347 a.C) foi um filósofo grego, discípulo de Sócrates, fundador da Academia e mestre de Aristóteles. A sua filosofia é de uma grande importância e influência. Platão dedicou-se a vários temas, entre eles a ética, a política, a metafísica e a teoria do conhecimento.
Em linhas gerais Platão desenvolveu a noção de que o homem está em contacto permanente com dois tipos de realidade: a inteligível e a sensível. A primeira é uma realidade permanente, imutável, igual a si mesma.
A segunda são todas as coisas que nos afectam os sentidos, são realidades dependentes e mutáveis.
Em linhas gerais Platão desenvolveu a noção de que o homem está em contacto permanente com dois tipos de realidade: a inteligível e a sensível. A primeira é uma realidade permanente, imutável, igual a si mesma.
A segunda são todas as coisas que nos afectam os sentidos, são realidades dependentes e mutáveis.
Esta concepção platónica é conhecida por Teoria das Ideias ou teoria das Formas.
Platão também elaborou uma teoria gnosiológica ou seja, uma teoria que explica como se pode conhecer as coisas, ou ainda, uma teoria do conhecimento. Segundo ele, ao ver um objecto repetidas vezes, uma pessoa lembra-se aos poucos da Ideia daquele objecto, que viu no mundo das Ideias.
Platão também elaborou uma teoria gnosiológica ou seja, uma teoria que explica como se pode conhecer as coisas, ou ainda, uma teoria do conhecimento. Segundo ele, ao ver um objecto repetidas vezes, uma pessoa lembra-se aos poucos da Ideia daquele objecto, que viu no mundo das Ideias.
Para explicar como se dá isso, Platão recorre a um mito que diz que, antes de nascer a alma de cada pessoa vivia no mundo das Ideias. Quando uma pessoa nasce a sua alma é lançada para a Terra. Com o impacto a pessoa esquece tudo o que adquiriu no mundo das ideias e só volta a lembrar-se quando um objecto lhe aparece de diferentes formas, aí ela recorda-se da ideia desse objecto. Essa recordação, para Platão designa-se de anamnesis, ou Reminiscência.
David Barbosa
Paula Martins
10ºB
David Barbosa
Paula Martins
10ºB
15 fevereiro 2007
A filosofia na Poesia de Manuel Alegre

“Quem somos, donde vimos, para onde vamos?
Há muito já que moro no porquê.
Nada sabemos senão que passamos.
E há sempre um homem que já foi
E há sempre um homem que ainda não é.
É esse que me dói.
Agora sei que nada é fixo: há sempre um por fazer
Há sempre outro partir depois de cada chegar
Agora sei que para saber
É preciso rasgar as mãos … e procurar.”
Manuel Alegre
Há muito já que moro no porquê.
Nada sabemos senão que passamos.
E há sempre um homem que já foi
E há sempre um homem que ainda não é.
É esse que me dói.
Agora sei que nada é fixo: há sempre um por fazer
Há sempre outro partir depois de cada chegar
Agora sei que para saber
É preciso rasgar as mãos … e procurar.”
Manuel Alegre
13 fevereiro 2007
O homem está condenado a ser livre?
Afirma Jean Paul Sartre que “O homem está condenado a ser livre”. Concerteza um afirmação um pouco rebuscada para muitos mas que pode ser claramente entendida devido à posição perante a liberdade do autor. É notório que Sartre, um “existencialista ateu”, não aceita totalmente a teoria determinista, corrente filosófica que defende que a liberdade é uma ilusão incompatível com um mundo regido por leis, mas sim o determinismo moderado, que nos diz que apesar de existirem algumas condicionantes (biológicas, histórico-culturais e psicológicas) o homem é livre de escolher determinadas acções. Ou seja, nenhum de nós escolheu se queria vir ao mundo, apenas nasceu e ficou desde logo condenado a viver num determinado país, com determinados pais, com uma determinada cultura, numa determinada geração. No entanto, nenhuma dessas condicionantes nos impede de tomarmos certas decisões como escolher sermos honestos ou falsos. Estas escolhas somos nós que as temos de fazer e são elas que, juntamente com a maneira como escolhemos, vão ditar como nos vamos comportar perante determinadas situações, vão determinar a nossa personalidade, ou seja, fazem com que o homem tenha capacidade de se construir a si próprio. E é aí que recai a frase transcrita no início do texto. O homem durante toda a sua vida é obrigado a tomar decisões livremente, estando condenado “porque não se criou a si próprio” (condicionantes), mas sempre condenado e obrigado a escolher livremente o que quer ou não fazer. É óbvio que intrínseca a esta condenação está a responsabilidade que o homem deve ter para poder construir-se a si próprio e ao Mundo, pois cada acção do homem deixa uma marca para os seus sucessores e se assim não fosse, a espécie humana continuaria na pré-história. Assim, o homem pode e deve ser responsabilizado pelos seus actos, sejam eles bons ou maus.
Sílvia Vieira 10ºA
Sílvia Vieira 10ºA
12 fevereiro 2007
Os sofistas e a retórica
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