23 julho 2007

10 falsas questões sobre a filosofia!

1. A filosofia é difícil.
É falso que se fale da filosofia como uma disciplina difícil. Ela é tão difícil quanto outra disciplina qualquer. Há, certamente, disciplinas mais difíceis e outras mais fáceis. A dificuldade não ocupa um lugar de destaque mais na filosofia do que na física, biologia ou na matemática.

2. A filosofia não serve para nada
Bem, isto só seria verdade se nos mentissem acerca da filosofia. Questionar sobre a utilidade da filosofia possui exactamente o mesmo sentido do que questionar acerca da utilidade da matemática, da física, química ou biologia. A filosofia tem exactamente a mesma utilidade que qualquer outra disciplina, só que a natureza dos seus problemas é diferente e exige metodologias específicas. Perguntar pela utilidade da filosofia é perguntar pela utilidade do saber em geral e a resposta não deve ser colocada somente aos profissionais da filosofia, mas também aos dos outros saberes. Curiosamente o mundo não seria o que é se os saberes não possuíssem uma utilidade.

3. Em filosofia nunca se chega a conclusões
É falso pensar que em filosofia nunca se chega a conclusões. Se assim fosse também o poderíamos dizer em relação à ciência. O que nós conhecemos da ciência são os resultados desta, porque as grandes questões da ciência ainda andam em investigação, tal qual as grandes questões da filosofia. A diferença é que ao passo que a ciência pode recorrer à experimentação, a filosofia não pode dada a natureza dos seus problemas que não são resolvidos empiricamente.

4. A filosofia é um saber abstracto que não tem nada a ver com a vida.
Pelo contrário. A filosofia é talvez o saber que mais directamente se relaciona com a nossa vida prática e quotidiana, daí por vezes se fazer a confusão ao pensar-se que qualquer pessoa está a fazer filosofia ao se questionar sobre um ou outro problema. Os problemas da filosofia surgem porque a vida humana os levanta. Para isso existem muitos ramos do saber a fim de os estudar. A filosofia é um desses ramos.

5. Todos somos filósofos
É falso. Não é qualquer pessoa que é filósofa, apesar de qualquer pessoa ser perfeitamente capaz de levantar problemas filosóficos a um nível intuitivo. De igual modo, também as crianças fazem muitas questões científicas e isso não faz delas cientistas. De que é feita a lua? Porque é que nunca apanho o arco irís, etc…. Podemos igualmente perguntar se Deus existe ou não, se o livre arbítrio faz ou não sentido, sobre o sentido moral do aborto, sobre o que é o tempo e a sua relação com o espaço, etc…., mas daí não decorre que sejamos filósofos. A filosofia faz-se e investiga-se nas mais avançadas universidades do mundo e possui altos níveis de sofistificação. Ser um filósofo profissional, implica publicar ensaios nas revistas da especialidade e contribuir de modo decisivo para o progresso e avanço da filosofia. E isso não está ao alcance de todos e exige um trabalho disciplinado e árduo. Mas daí não decorre problema algum. Também na matemática, sabemos muita matemática a um nível intuitivo e nem por isso somos matemáticos. Depende do nível de sofistificação que queremos alcançar. E os grandes investigadores precisam muito dos bons divulgadores, como é o caso dos bons professores.

6. Em filosofia tudo é subjectivo.
Esta é uma outra ideia falsa que aparece muitas vezes em relação à filosofia. Pensa-se que a filosofia não é nada mais do que um grupo de gente tola, cada um a dar a sua opinião sobre um assunto qualquer. Mas a defesa da subjectividade é auto refutante em termos racionais. Se eu defender que a filosofia é subjectiva, o meu leitor pode defender que não, que é objectiva. Terei de aceitar a posição do meu leitor precisamente porque a posição do leitor é, para mim, subjectiva. E entramos num círculo racionalmente insustentável. Por outro lado, se a filosofia é subjectiva, então, qual a razão da discussão racional? Nada haveria a discutir dado que a verdade não passaria de algo muito subjectivo. Toda a discussão possível não passaria de uma mera e modesta troca de opiniões. Mas nesse caso não existiria qualquer progresso no saber e cultura humana. Não devemos esquecer que as grandes teorias matemáticas e científicas ainda estão por resolver, precisamente porque, tal como na filosofia, não existe progresso sem problemas e razões que apontem conclusões para esses problemas.

7. A filosofia é algo que se faz quando se tem muito dinheiro e nada para fazer
Muita gente famosa parodiou este lado da filosofia, associando-a ao ócio que é precisamente o contrário do negócio (negar o ócio). Apesar da filosofia não constituir para a maior parte das pessoas uma necessidade vital, como é dormir, comer e beber ou respirar, a verdade é que ela se faz por necessidade de compreensão do mundo. A maior parte dos grandes filósofos pensaram sem grandes condições para o fazer. A riqueza material não tem necessariamente de andar associada à filosofia. É natural que se faça e publique mais filosofia onde há mais dinheiro, mas isso somente porque alguém pode viver da filosofia, pode ser pago para investigar e pensar determinado problema filosófico. Mas, novamente, esta é uma realidade que também se aplica a qualquer ramo do saber ou a toda a ciência. Não são as culturas material e culturalmente pobres que produzem e têm acesso à investigação. De modo que supor que a filosofia se faz quando não se tem mais nada para fazer e se tem muito dinheiro, é falso.

8. Não é preciso ensinar filosofia nas escolas
Para mostrar o quanto esta afirmação é falsa, prefiro apresentar alguns exemplos. Uma boa parte dos países ocidentais até nem têm filosofia no ensino secundário como formação geral e obrigatória, como existe em Portugal. Mas têm o chamado critical thinkink que é uma área muito próxima dos modelos mais específicos da filosofia. Por outro lado, esses países vêm garantido o sucesso da filosofia no ensino superior uma vez que possuem uma cultura mais sólida que permite que as pessoas vão de encontro ao saber e à filosofia. Há um interesse e sucesso quase natural pela filosofia, especialmente após a segunda metade do sec. XX e livros de filosofia ganham quase todos os anos importantes prémios. Só se consegue ter ideias tolas como esta e a de que a filosofia não serve para nada, numa sociedade ignorante que não reconhece o valor intrínseco da educação. Olhar para a filosofia e afirmar que ela não serve para nada, é de uma ignorância tão tola que faz lembrar aquela pergunta: o que faz um burro a olhar para um palácio? Mas os seres humanos, muito mais que os burros, podem ser educados a olhar para palácios. (...)


9. Em filosofia tem de se ler muito e escrever muito.
É evidente que para se saber filosofia temos de saber os argumentos dos filósofos. Imagine que vai ter com os amigos ao café e começa uma conversa sobre a justiça na distribuição da riqueza. Imagine ainda o leitor que na mesma mesa estão sentadas mais 4 pessoas além de si. Imagine agora também que começaria a debater argumentos sobre o tema não querendo saber das posições das outras 4 pessoas e ainda por cima afirmava que X e Y defendem a posição A, mesmo sem ter perguntado a X e Y que posições defendem. Uma das consequências mais prováveis é que o leitor poderia partir do princípio que:
a) As suas posições são a verdade absoluta sobre o problema da justiça na distribuição da riqueza.
b) Poderia o leitor estar a pensar que estava a ser muito original, quando X defende a mesma posição mas até com melhores argumentos.
Seria esta uma situação desejável. Mas vamos mais longe. Imagine que a conversa era sobre o cosmos e que o leitor estava a defender o geocentrismo por pura ignorância. Sem querer saber do que X e Y pensam e conhecem acerca do assunto, o leitor nunca descobriria uma verdade elementar: que está completamente errado, uma vez que o geocentrismo já foi refutado há muitos séculos atrás.
A mesma coisa sucede na filosofia, como sucede em qualquer outro saber ou ciência. Para discutir os problemas filosóficos de um modo profissional, temos de entrar em discussão com os argumentos dos filósofos e é por essa razão que precisamos de ler o que Platão ou Descartes pensaram acerca do problema, quais os argumentos apresentados. A prova de fogo pela qual o aprendiz de filósofo tem de passar é exactamente a mesma que quaalquer cientista tem de passar. Tem de sujeitar os seus «insights» à crítica dos seus pares. Um charlatão não passa esta prova de fogo e está condenado a escrever os seus argumentos sem pés nem cabeça no jornal da terra. Neste contexto, o texto escrito e lido é obviamente um dos recursos fundamentais dos filósofos, apesar de não o único. Alguns filósofos conseguiram apresentar argumentos revolucionários e nem por isso escreveram muito. Wittgenstein é só um entre centenas de exemplos. Outros escreveram muito e nem por essa razão conseguiram ser autores centrais para a filosofia.

10. Em filosofia tem de se ser muito profundo.
Em filosofia não tem de se ser mais profundo do que em matemática ou química. Em primeiro lugar deve-se privilegiar a clareza que nem sempre coincide com facilidade, dependendo do estudo que se realize. Obviamente se estamos a falar de filosofia como eu estou a falar neste texto, não se exige profundidade alguma. Exige-se clareza e rigor. A ideia da profundidade em ciência e filosofia, diz respeito à sofisticação dos problemas em análise. Se estamos numa área como a Lógica Modal, envolvendo a discussão de conceitos como possibilidade e necessidade, o mais provável é que a discussão não seja muito acessível a quem não possui qualquer preparação em filosofia. A mesma questão é atribuível a uma qualquer investigação em física ou química. Mas, regra geral, estas teorias mais profundas podem ser expostas a um nível mais intuitivo. E porque é que existe esta necessidade de explicar aos mais leigos os problemas mais sofisticados? Por uma razão muito simples. Somos seres limitados no tempo e um dia alguém vai ter de continuar os nossos estudos, desenvolvendo-os e possibilitando novas descobertas, por isso temos de ensinar aquilo que sabemos ou condenamos o saber à sua morte. Depois porque um filósofo só descobre as fragilidades das razões que oferece em favor das suas teses se um outro o puder estudar e refutar.

Rolando Almeida (http://rolandoa.blogs.sapo.pt)

06 julho 2007

ADESTE - nova associação de desenvolvimento Educativo, Social e Cultural é fundada hoje em Ruílhe-Braga


ADESTE é o nome de uma nova associação que será fundada
HOJE, Sexta-Feira, dia 6 de Julho, em Ruílhe, Braga.
A constituição oficial da associação e a sua apresentação pública realiza-se nas instalações da Alfacoop, a partir das 17:00 horas, através da constituição da escritura pública.
A Adeste, Associação de Desenvolvimento Educativo, Social e Cultural das Terras do Este é uma associação de desenvolvimento local constituída por Juntas de Freguesia, Estabelecimentos de Educação, Ensino e Formação das Redes Pública, Cooperativa e Solidária, Associações de Pais, Professores e Educadores e outras Pessoas e Instituições comprometidas com o desenvolvimento educativo, social e cultural duma área geográfica constituída pelas freguesias de Nine (Concelho de Vila Nova de Famalicão), Cambeses, Sequeade, Bastuço-S. João, Bastuço-Santo Estêvão (Concelho de Barcelos), Arentim, Cunha, Tebosa e Ruílhe (Concelho de Braga). É neste território que a ADESTE pretende promover o desenvolvimento local nos domínios educativo, social e cultural, bem como contribuir para a intervenção cívica na perspectiva da assunção de uma cidadania plena em todos os níveis e âmbitos de acção.

14 junho 2007

Uma Experiência Estética diferente

Na tarde do dia 30 de Maio os alunos do 10ºano viveram uma experiência estética diferente. Visitaram a empresa "J.P. oficina de Arte, Lda" (http://www.thepoloart.com/), situada em Ruílhe e gerida pelo Sr. João Pinto, que nos recebeu com toda a simpatia.Foi uma experiência estética realizada no âmbito da disciplina de Filosofia e no contexto do estudo da Actividade Estética (tema "A industrialização da arte). Nesta visita de estudo, além ficarem a conhecer todo o processo de criação/produção das obras de arte, os alunos tomaram também contacto com as estratégias comerciais e de marketing utilizadas por esta empresa para a comercialização das obras de arte.Por outro lado, cada turma teve a oportunidade de experimentar a criação de uma pintura colectiva.Esta iniciativa teve os seguintes objectivos:- Sensibilizar os alunos para a actividade estética;- Analisar a relação da arte com o valor económico ;- Contextualizar a industrialização da arte na sociedade contemporânea e as suas implicações no conceito de arte;- Viver uma experiência estética.
Aqui ficam algumas fotos.








13 junho 2007

Habermas


Jurgen Habermas nasceu em Dusseldorf a 18 de Junho de 1929. É um dos mais importantes filósofos do século XX. Habermas fez cursos de filosofia, história e literatura, interessou-se pela psicologia e economia.
Em 1954 doutorou-se em Filosofia na Universidade de Bona. De 1956 a 1959, foi colaborador de Theodor Adorno no Instituto de Pesquisa Social de Frankfurt. Em 1961 obteve a licença para ensinar (Universidade de Marburg) e, em seguida, foi nomeado professor extraordinário de filosofia da Universidade de Heidelberg, de 1961 a 1964, onde ensinava Hans Geor Gadamer. Posteriormente, foi nomeado professor titular de filosofia e sociologia da Universidade de Frankfurt, de 1964 a 1971. Desde 1971, Habermas é co-director do Instituto Max-Plank para a Investigação das Condições de Vida do Mundo Técnico e Cientifico, em Starnberg, Baviera. Em, 1983, transferiu-se para a Universidade Johan Wolfgang Goethe, de Frankfurt.
Habermas foi durante os anos 60 um dos principais teóricos e depois crítico do movimento estudantil. É considerado um dos últimos representantes da escola de Frankfurt.
[ Principais Obras: Teoria da Acção Comunicativa; Entre a Filosofia e a Ciência – O Marxismo como Crítica; Reflexões Sobre o Conceito de Participação Pública; Mudança Estrutural da Esfera Pública; Teoria e Praxis; Lógica das Ciências Sociais; Técnica e Ciência como Ideologia; Conhecimento e Interesse; Entre os Fatos e as Normas; O Discurso Filosófico da Modernidade; A Inclusão do Outro – Estudos de Teoria Política; Direito e Democracia Entre Facticidade e Validade; Consciência Moral e Agir Comunicativo; Pensamento Pós-Metafísico; Escritos sobre Moralidade e Eticidade; Verdade e Justificação; História e crítica da opinião pública.

Sara Oliveira - 10ºD

Direitos Humanos e Filosofia


É a carta de princípios, proclamada pela Assembleia Geral da ONU, a 10 de Dezembro de 1948, onde se afirma a preocupação internacional com a preservação dos direitos humanos e se define quais são esses mesmos direitos. Surgiu como um alerta à consciência humana contra as atrocidades cometidas durante a Segunda Guerra Mundial e teve como objectivo fundador a luta pela paz e pela boa convivência entre as diferentes nações, raças e ideologias.
A Declaração Universal dos Direitos do Homem enuncia os direitos fundamentais, civis, políticos e sociais de que devem gozar todos os seres humanos, sem discriminação de raça, sexo, nacionalidade ou de qualquer outro tipo, qualquer que seja o país que habite ou o regime nele instituído.

OS DIREITOS HUMANOS E A FILOSOFIA

Desde a Grécia antiga os direitos humanos existem como problema filosófico. Para Sócrates, Platão e Aristóteles todas as pessoas tinham direito à vida, a viver em sociedade e a serem felizes. Mais tarde, na Idade Média, os direitos humanos eram considerados como obra de Deus. No séc. XVII eram encarados como direitos naturais.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos proporciona apenas um fundamento nos factos, histórico e não absoluto, com a vantagem de permitir uma internacionalização desses direitos, não sendo, porém, o mesmo que fundamentar a sua universalidade.
A discussão sobre os fundamentos dos Direitos Humanos originou um confronto entre a fundamentação jusnaturalista e a historicista.
Segundo o jusnaturalismo, certos direitos fundamentais são inerentes ao Homem e anteriores à sociedade. Defende um Direito Natural isto é, um ordenamento universal que é deduzido da natureza humana, independente das instituições jurídicas e superior a estas porque lhes é anterior.
Para a fundamentação historicista, os Direitos Humanos constituem a manifestação das necessidades humanas de uma determinada época. São um produto da civilização sujeito às suas modificações e evolução. A história e a invariabilidade dos direitos naturais não são compatíveis.
Actualmente, para o filósofo Norberto Bobbio, o principal problema relativo aos direitos humanos deixou de ser o da sua fundamentação para passar a ser o da sua protecção.
Luísa Alexandra Teixeira Santos 11ºC

30 maio 2007

Os direitos das mulheres como direitos humanos

Numa sociedade em que os direitos das mulheres estão restringidos e as suas possibilidades coarctadas, nenhum homem pode ser verdadeiramente livre. Pode ter poder, mas não terá liberdade.
Mary Robinson
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A ciência, o poder e os riscos


“A ciência pode ensinar-nos como fazer bombas atómicas ou manipulações genéticas, mas não pode responder à questão moral: devemos ou não fabricar engenhos nucleares ou empreender um programa de manipulações genéticas? A própria decisão de “fazer ou não ciência” também não é do domínio da ciência ”.
Hubert Reeves, “Malicorne, Reflexões de um observador da natureza”
Analise o poder e os riscos da ciência a partir do texto de Hubert Reeves.

Programação das AULAS DE FILOSOFIA - RTP Madeira com o Prof. Rolando Almeida

Podes aceder às aulas de Filosofia da RTP Madeira, lecionadas pelo Prof. Rolando Almeida (na foto), acedendo aos links abaixo.  TELENSINO (R...