14 outubro 2008

A ciência é imparcial?

Poderá a investigação científica ser realmente imparcial? A resposta óbvia é que não pode ser inequivocamente imparcial porque a ciência é feita por seres humanos e instituições humanas, que estão sujeitos à habitual cegueira facciosa.Mas há uma grande, uma imensa diferença entre ver que a ciência, como tudo o resto, não pode ser inequivocamente imparcial, e celebrar esse facto alegremente. Isto é o primeiro passo para o totalitarismo; se tudo é inequivocamente faccioso, até a ciência, então eu tenho o direito de defender com unhas e dentes os meus interesses, que têm uma vantagem final que nenhuns outros interesses têm: são meus. Por outro lado, qualquer análise superficial das instituições científicas mostra que estas estão em parte feitas de maneira a contrariar a parcialidade e a procurar a máxima objectividade (leia-se em português, a este respeito, o prólogo de Jorge Buescu do seu livro O Mistério do Bilhete de Identidade). Fingir que não há diferença entre as instituições científicas e as religiosas, por exemplo, só pode ser fruto de confusão mental ou do tipo de facciosismo cego que está na moda imputar à ciência.Precisamos de estar vigilantes, de procurar a verdade das coisas, de denunciar a mentira, a prostituição da ciência para fins políticos e ideológicos. E nesta tarefa nada nos ajuda a declaração sofística, baseada em imaginadas autoridades filosóficas, de que tudo é inequivocamente faccioso e que a objectividade é um mito. Argumentar que X não existe porque não existe um X puro é o tipo de falácia contra a qual temos de estar precavidos, pois é dela que nasce a ideia pós-moderna de que devemos celebrar a ideologização da ciência, da filosofia, da história e talvez até das quecas. Do facto de ninguém ser puramente bom, não se segue 1) que não há pessoas boas, e umas mais que outras, nem 2) que devemos celebrar a maldade, a inveja, a perversidade e a pura manipulação desavergonhada, nem 3) que não devemos procurar ser boas pessoas, dentro das nossas muito humanas limitações.

Desidério Murcho,

publicado em De Rerum Natura

A verdadeira forma do Silogismo Aristotélico - Texto de Apoio

10 outubro 2008

Vídeos Filosofia


No youtube pode encontrar alguns vídeos sobre Filosofia. A série brasileira "Ser ou não ser", produzida para a TV, embora não apresente boa qualidade técnica, no entanto é interessante sob o ponto de vista pedagógico.

Veja este exemplo sobre Platão:


04 junho 2008

O Poder e os Riscos da Ciência - uma questão de equilíbrio

Com o passar dos séculos, o crescente desenvolvimento e evolução científicos levaram-nos à criação de uma cultura científico-tecnológica da qual, o ser humano de hoje, é incapaz de se afastar.
O que seria do homem dos nossos dias se tivesse de viver sem telemóvel, computador, televisão, meios de transporte, etc., ou mais drasticamente, o que seria do homem sem laboratórios, medicamentos…?
Nos nossos dias é quase impossível falarmos em sociedade sem pensarmos em todos estes conceitos, pois, eles estão de tal maneira interiorizados nos nossos hábitos de vida, que criaram uma nova cultura, toda ela dependente da ciência e da tecnologia.
Numa época de grandes descobertas e avanços cientifico-tecnológicos como a dos últimos séculos, desde a obtenção da energia à substituição do ser humano pelos mais especializados equipamentos, desde o desenvolvimento da genética e da biologia, o que nos leva a tornar possível prevenir e curar diversas doenças, à descoberta da fertilização “in vitro”, de medicamentos, entre outras, podemos afirmar, quase sem quaisquer dúvidas, que a ciência nos trouxe melhor qualidade de vida, e que tornou o mundo muito mais próximo. No entanto, é preciso não esquecer que nem tudo são rosas e que as rosas têm espinhos, pois, a ciência também pode destruir. O desenvolvimento científico é responsável por problemas relacionados com o equilíbrio e conservação da natureza (excessivas emissões de poluentes para o ambiente que provocam alterações climáticas…, produção industrial desenfreada…). Por exemplo, Fritz Haber, prémio Nobel em 1918, veio-nos mostrar, que o amoníaco, tanto pode ser utilizado para o fabrico de fertilizantes, como para o fabrico de armas de enorme potencial destrutivo. Certas descobertas, como as utilidades do petróleo, podem não só destruir o planeta, como também destruir o próprio homem, despoletando guerras.
O imenso poder alcançado pelo Homem através da ciência pode, assim, levá-lo ao triunfo ou à sua destruição.
Porém, a ciência está limitada pelos governos dos países, pois se não existirem verbas suficientes para a investigação, esta não poderá ser efectuada. Os governos não são apenas responsáveis pelas verbas, mas também pelo acesso dos seus governados aos avanços científicos. Há alguns séculos atrás, não só os governos eram os responsáveis pelo atraso da evolução científica, mas também a religião tinha um papel importantíssimo neste campo, pois era ela que regia toda a sociedade, e devido a ela, muitos cientistas tinham medo de revelar as suas teses.
Deste modo, na minha opinião, não devemos optar pelas posições extremistas de total renúncia à ciência ou de total aceitação das possibilidades que o progresso científico nos tráz, mas sim, optar por uma posição de equilíbrio, utilizando a racionalidade do ser humano, em escolher apenas o bem para nós e também para o planeta, pois, os saberes científico-tecnológicos são uma condição necessária ao desenvolvimento, mas não suficiente.

Rita Gomes

11ºB


Bibliografia:

· “Um outro olhar sobre o mundo”, vol.2, 11º ano; Edições ASA - 2007; Abrunhosa, Maria Antónia; Leitão, Miguel;
· “Eu e a Química”, 11º ou 12º ano; Porto Editora – 2007; Maciel, Noémia; Gradim, Maria Manuela; Campante, Maria José;
· https:/.../mkn57/WWW/Home%20Pic%202.jpg
· Diciopédia 2005
· http://www.oei.es/revistactsi/numero7/articulo02b.htm

01 junho 2008

O que dizem os outros blogs de filosofia?

Espanha defende Filosofia
A plataforma em defesa da filosofia prepara mais uma manifestação para o próximo sábado dia 31 (de Maio 08) na porta do sol, no centro de Madrid. As reivindicações dirigem-se essencialmente aos Conselhos de Educação das Comunidades de Madrid e Castilla-La Mancha e centram-se num aumento de carga horária a fim de serem leccionados os temas considerados cruciais nesta disciplina. O manifesto pode ser lido aqui e o abaixo-assinado acedido aqui.

http://telegrapho.blog.pt/

14 maio 2008

Ciência e Pseudociência - Texto de apoio- clica aqui


O valor cognitivo de uma teoria nada tem a ver com a sua influência sobre a mente das pessoas. A crença, a adesão e a compreensão são estados da mente humana. Mas o valor científico e objectivo de uma teoria é independente da mente humana que a concebe ou compreende. O seu valor científico depende apenas do suporte objectivo que essas conjecturas encontrem nos factos.