03 novembro 2009
Morreu Claude Levi-Strauss
02 novembro 2009
Filosofia e automóveis
Nigel Warburton, Elementos Básicos de Filosofia
O Vídeo da Semana
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31 outubro 2009
A validade dos argumentos
(vídeo) Um mau argumento de um político
A validade de um argumento depende exclusivamente da relação entre as premissas e a conclusão: dizer que um argumento é válido significa dizer que as premissas estão de tal modo relacionadas que a conclusão é verdadeira se as premissas forem verdadeiras. No caso dos argumentos dedutivos, essa conexão é a seguinte: é impossível as premissas serem verdadeiras e a conclusão falsa.
Ao avaliar o argumento quanto à sua validade, não importa saber se as premissas ou a conclusão são de facto verdadeiras. O que importa é saber se, supondo ou imaginando que as premissas são verdadeiras, a conclusão pode ser falsa. Para isso, só precisamos de fazer a seguinte pergunta hipotética: têm as premissas uma natureza tal, que se fossem verdadeiras a conclusão estaria obrigada a ser verdadeira? Tomemos o seguinte exemplo:
Todos os arquitectos ganham muito dinheiro.
Cristiano Ronaldo é arquitecto.
Logo, Cristiano Ronaldo ganha muito dinheiro.
Será válido ou inválido? Podemos raciocinar do seguinte modo: se a primeira proposição for verdadeira e se supusermos que a segunda também é verdadeira, não podemos negar a conclusão, ou seja, a conclusão deriva das premissas. O argumento é válido. A suposição da verdade das premissas é um mero procedimento para avaliar a conexão ou ligação entre as premissas e a conclusão. Como podemos constatar, a validade do argumento é independente da verdade das premissas – nem todos os arquitectos ganham muito dinheiro, nem Cristiano Ronaldo é arquitecto – e da conclusão. Neste caso, a conclusão é verdadeira. Como sabemos, o Cristiano Ronaldo que joga em Espanha, no Real Madrid, ganha muito dinheiro.
26 outubro 2009
Argumento cogente
A discussão crítica, a avaliação de argumentos e das teorias propostas pelos filósofos ou analisadas pelos filósofos são elementos fundamentais da actividade filosófica. Neste contexto importa distinguir muito bem bons e maus argumentos. Em filosofia argumentos bons chamam-se cogentes. Mas o que é um argumento cogente?Há algumas condições necessárias para um argumento ser cogente. Em primeiro lugar tem de tratar-se de um argumento válido, em segundo lugar tem de ser um argumento sólido (válido com premissas verdadeiras). Por último, além das condições anteriores, as premissas devem ser mais plausíveis (aceitáveis, evidentes) do que a conclusão. E devem ser mais plausíveis, aceitáveis e evidentes, aos olhos de quem argumenta ou contra-argumenta connosco. Assim, um argumento cogente é persuasivo, convincente, porque o nosso interlocutor/auditório, no uso das capacidades racionais assim o reconhece, considerando aquilo que se sabe e o estado cognitivo dos interlocutores.
Exemplo de argumento cogente:
Os bebés não têm deveres.
Se só tivesse direitos quem tem deveres, os bebés não teriam direitos.
Mas os bebés têm direitos.
Logo, é falso que só tem direitos quem tem deveres.
Exemplo de argumento incogente:
Se a vida é sagrada, o aborto é imoral.
A vida é sagrada.
Logo, o aborto é imoral.
Que tipo de coisas discutem os filósofos?
Muitas vezes, examinam crenças que quase toda a gente aceita acriticamente a maior parte do tempo. Ocupam-se de questões relacionadas com o que podemos chamar vagamente «o sentido da vida»: questões acerca da religião, do bem e do mal, da política, da natureza do mundo exterior, da mente, da ciência, da arte e de muitos outros assuntos. Por exemplo, muitas pessoas vivem as suas vidas sem questionarem as suas crenças fundamentais, tais como a crença de que não se deve matar. Mas por que razão não se deve matar? Que justificação existe para dizer que não se deve matar? Não se deve matar em nenhuma circunstância? E, afinal, que quer dizer a palavra «dever»? Estas são questões filosóficas. Ao examinarmos as nossas crenças, muitas delas revelam fundamentos firmes; mas algumas não.O estudo da filosofia não só nos ajuda a pensar claramente sobre os nossos preconceitos, como ajuda a clarificar de forma precisa aquilo em que acreditamos. Ao longo desse processo desenvolve-se uma capacidade para argumentar de forma coerente sobre um vasto leque de temas,- uma capacidade muito útil que pode ser aplicada em muitas áreas.
Defende-se por vezes que não vale a pena estudar filosofia uma vez que tudo o que os filósofos fazem é discutir sofisticamente o significado das palavras; nunca parecem atingir quaisquer conclusões de qualquer importância e a sua contribuição para a sociedade é virtualmente nula. Continuam a discutir acerca dos mesmos problemas que cativaram a atenção dos gregos. Parece que a filosofia não muda nada; a filosofia deixa tudo tal e qual.
Qual é afinal a importância de estudar filosofia? Na verdade, a caricatura do filósofo é geralmente a de alguém que é brilhante a lidar com pensamentos altamente abstractos no conforto de um sofá, numa sala de Oxford ou Cambridge, mas incapaz de lidar com as coisas práticas da vida: alguém que consegue explicar as mais complicadas passagens da filosofia de Hegel, mas que não consegue cozer um ovo. Uma razão importante para estudar filosofia é o facto de esta lidar com questões fundamentais acerca do sentido da nossa existência. A maior parte das pessoas, num ou noutro momento da sua vida, já se interrogou a respeito de questões filosóficas. Por que razão estamos aqui? Há alguma demonstração da existência de Deus? As nossas vidas têm algum propósito? O que faz com que algumas acções sejam moralmente boas ou más? Poderemos alguma vez ter justificação para violar a lei? Poderá a nossa vida ser apenas um sonho? É a mente diferente do corpo, ou seremos apenas seres físicos? Como progride a ciência? O que é a arte? E assim por diante.
Nigel Warburton
"Elementos Básicos de Filosofia"
23 outubro 2009
A filosofia é o lugar crítico da razão!
A Filosofia não é religião, nem uma prática iniciática de vida; ao invés, é o lugar crítico da razão, como por vezes se diz. Estudar Filosofia é aprender a ser crítico, que é precisamente o que os gurus não se podem dar ao luxo de permitir aos seus acéfalos discípulos. (…) A Filosofia não é um corpo de conhecimentos que nos baste assimilar acriticamente, mas antes a actividade crítica de estudar ideias e argumentos minuciosamente, para ver se serão plausíveis ou não. Por isso, não se encontra nos melhores filósofos um conjunto de instruções esotéricas para dar sentido às nossas vidas. O que se encontra são estudos cuidadosos de diferentes ideias e argumentos sobre o problema. Isto não significa que não existam conclusões consensuais, entre os filósofos actuais, sobre o sentido da vida. Significa apenas que o trabalho filosófico é fundamentalmente a discussão minuciosa e paciente dessas conclusões e dos argumentos que as sustentam."