11 janeiro 2010

Relativismo Cultural e Tolerância



A ideia de que a ética é apenas uma questão de convenções sociais atraiu sempre as pessoas educadas. Culturas diferentes têm códigos morais diferentes, diz-se, e pensar que há um padrão universal que se aplica em todas as épocas e lugares não passa de uma ingenuidade. É fácil encontrar exemplos. Nos países islâmicos, os homens podem ter mais do que uma mulher. Na Europa medieval, pensava-se que emprestar dinheiro a juros era pecado. Os povos nativos do Norte da Gronelândia por vezes abandonavam as pessoas velhas, deixando-as morrer ao frio. Ao pensar em exemplos como estes, os antropólogos concordam há muito com a afirmação de Heródoto:« O costume é o rei de todos nós.»
Hoje a ideia de que a moralidade é um produto social é atraente por uma razão adicional. O multiculturalismo é agora uma questão importante, especialmente nos Estados Unidos. Dada a posição dominante dos Estados Unidos no mundo, diz-se, e dada a forma como as acções americanas afectam os outros povos, os americanos estão especialmente obrigados a respeitar e a apreciar as diferenças entre culturas. Em particular, diz-se, temos de evitar a suposição arrogante de que os nossos costumes são «certos» e de que os costumes dos outros povos são inferiores. Isto significa, em parte, que devemos abster-nos de fazer juízos morais sobre as outras culturas. Devemos adoptar uma política de vive e deixa viver.
Superficialmente, esta atitude parece esclarecida. De facto, a tolerância é uma virtude importante e é óbvio que muitas práticas culturais não passam de costumes sociais - por exemplo, padrões de vestuário, de alimentação, de organização doméstica.
No entanto as questões fundamentais de justiça são diferentes. Quando pensamos em exemplos como a escravatura, o racismo e os maus tratos infligidos às mulheres, encolher os ombros e dizer «Eles têm os seus costumes e nós temos os nossos» já não parece tão esclarecido. (...) Temos a ideia, já mencionada, de que devemos respeitar as diferenças entre culturas.Respeitar uma cultura não implica que tenhamos de considerar aceitável tudo o que nela existe. Podemos pensar que uma cultura tem uma história maravilhosa e que produziu grandes obras de arte e ideias belas. Podemos pensar que as suas figuras cimeiras são nobres e admiráveis. Podemos pensar que a nossa própria cultura tem muito a aprender com ela. Ainda assim, isto não significa que tenhamos de considerá-la perfeita. Pode incluir elementos terríveis.

Problemas da Filosofia, James Rachels

Emotivismo (e subjectivismo) moral


Segundo o emotivismo, a linguagem moral não é uma linguagem de afirmação de factos; não é normalmente usada para transmitir informação. O seu propósito é diferente. É usada, primeiro, como um meio de influenciar o comportamento das pessoas. Se alguém diz «Não deves fazer isso», essa pessoa está a tentar impedir outra de o fazer. A elocução é, pois, mais parecida a uma ordem do que a uma afirmação de facto; é como se a pessoa tivesse dito: «Não faças isso!» em segundo lugar, a linguagem moral é usada para exprimir (e não para relatar) a atitude de alguém. Afirmar: «Lincoln era um homem bom», não é o mesmo que afirmar «Eu gosto de Lincoln», mas é como dizer «Um viva por Lincoln!»
A diferença entre o emotivismo e o subjectivismo simples deve agora ser óbvia. O subjectivismo simples interpretava as afirmações éticas como afirmações de facto de um tipo especial - nomeadamente como relatos da atitude do interlocutor. Segundo o subjectivismo simples, quando Falwell afirma «A homossexualidade é imoral», isto significa o mesmo que «Eu (Falwell) desaprovo a homossexualidade» - uma afirmação de facto sobre a atitude de Falwell. O emotivismo, por seu lado, nega que esta elocução declare qualquer facto, mesmo um facto sobre o próprio interlocutor. Em vez disso, o emotivismo interpreta a elocução de Falwell como equivalente a algo como «A homossexualidade - que horror!» ou «Não se envolva em actos homossexuais!», ou ainda «Quem me dera não existisse homossexualidade». (...)
Elementos da Filosofia Moral, James Rachels

24 dezembro 2009


Algumas sugestões de prendas!


O Livro dos Grandes Opostos Filosóficos, de Oscar Brenifier e Jacques Després (ilustração).
Para ofereceres ao teu irmão ou irmã (7-12 anos) mas também para dares uma espreitadela. Ilustrações interessantíssimas.









Universo, uma Biografia, de John Gribbin
Não é um livro de filosofia mas nem por isso deixa de ser importante para desenvolveres uma atitude filosófica crítica e esclarecida. Com uma linguagem relativamente simples (embora necessites de perbecer alguns conceitos de Física e Química) este autor explica como começou o universo, como se formam as estrelas e os planetas ou como começou a vida.










Que quer dizer tudo isto?
Uma iniciação filosófica, de Thomas Nagel
Os principais problemas e questões filosóficas, teses e argumentos. Um excelente instrumento para desenvolveres o espírito crítico e uma atitude verdadeiramente filosófica. Um excelente auxiliar para o 10ºano, em que problemas como o livre-arbítrio e a ética mas também a morte ou o sentido da vida são apresentados de modo muito interessante.








A Arte de Argumentar, de Anthony Weston
Um bom auxiliar para melhorares as tuas competências argumentativas. Um bom livro para te ajudar a compreender melhor os diversos tipos de argumentos (conteúdos do 11ºano).








Ética para um Jovem, de Fernando Savater
Numa linguagem informal, clara e imaginativa, este filósofo basco aborda valores éticos, como a liberdade ou a responsabilidade e "a arte de bem viver".







Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder
Em forma de romance e num estilo simples, claro e agradável, este autor coloca-te em contacto com a vida e o pensamento dos grandes filósofos.






12 dezembro 2009

É urgente acordar II!

De facto, nós (Homens) somos realmente insignificantes perante a idade, tamanho e misteriosidade do Universo que nos rodeia. Comparada com a idade do Universo, a nossa idade representa uma ínfima parte desse tempo. Ainda comparando idades, o Homem já existe na Terra há cerca de 200 mil anos, porém, só há cerca de 250 anos é que começou de facto a "dar cabo" da "sua casa". Esse processo de "destruição" tem vindo a aumentar nos últimos anos. Cada vez mais o Homem tenta obter conforto e qualidade de vida sem olhar a quê nem a como, sem se importar com os outros seres, sem se importar mesmo com os da sua espécie que ainda virão...Essa "destruição" está a deixar o planeta de tal forma "doente" que os sintomas são já bem perceptíveis: fusão dos gelos glaciares, aumento do nível das águas do mar, aumento do efeito de estufa e consequente aumento da temperatura média, maior número de contrastes climatéricos (secas, inundações, tempestades, etc.), desaparecimento de espécies e migraçao de outras que não conseguem adaptar-se às novas condições, etc.Isto tudo em tão pouco tempo! Será que o Homem não percebe que a Terra necessita urgentemente de "tratamento médico"? Será que é mais importante melhorar a sua qualidade de vida, sem pensar nas consequências para as restantes especies e para o seu próprio futuro?É hora de acordar para a realidade e perceber que a Terra não é propriedade nossa. A Terra é propriedade de todos os que a habitam e de todos os que ainda a habitarão! Será que pelo menos os nossos governantes já perceberam que é necessário tomar uma atitude, e vão tratar esta enfermidade enquanto é tempo? Ou será que vão deixar que a sua própria casa vá padecendo dos seus actos e "morrendo" a um rítmo cada vez maior?O "tratamento" tem de começar antes que seja tarde de mais... Ajudem o nosso planeta a sobreviver a esta maleita!!! ESTÁ na HORA DE ACORDAR! ESTÁ NA HORA DE AJUDAR O PLANETA A PROLONGAR A SUA ESPERANÇA DE VIDA!

Comentário enviado pela Daniela Cerqueira, do 10ºC
Parabéns, Daniela, pela tua participação activa e assídua neste Blog!
Sérgio Cortinhas