07 março 2010

Livros que mudaram o mundo!

O PÚBLICO faz 20 anos e traz aos seus leitores 20 livros que mudaram o mundo. Manifestos, tratados, ensaios, obras de inspiração religiosa ou filosófica, estes livros mudaram o curso da História e todos eles permanecem como obras fundadoras do pensamento moderno. A colecção de livros inclui algumas das mais obras filosóficas. Foi lançada a 11 de Fevereiro e termina a 24 de Junho.
Cada livro custa apenas 5,95€

Mais informações aqui.

03 março 2010

Utilitarismo

“Os críticos do utilitarismo raramente têm a justiça de reconhecer: que a felicidade que forma o padrão utilitarista sobre o que está certo na conduta não é a felicidade do próprio agente, mas a de todos os envolvidos. Quanto à escolha entre a sua própria felicidade e a felicidade dos outros, o utilitarismo exige que ele seja tão estritamente imparcial como um espectador benevolente e desinteressado. Na regra de ouro de Jesus de Nazaré lemos todo o espírito da ética da utilidade. Tratar os outros como que­remos que nos tratem e amar o nosso próximo como a nós próprios consti­tuem a perfeição ideal da moral utilitarista. Como meio de fazer a maior apro­ximação possível a este ideal, a utilidade prescreve, em primeiro lugar, que as leis e estruturas sociais coloquem tanto quanto possível a felicidade ou (como se lhe pode chamar para falar de maneira prática) o interesse de qualquer indivíduo em harmonia com o todo; em segundo lugar, que a educação e a opinião, que têm um poder tão vasto sobre o carácter humano, devem ser usadas para estabelecer na mente de todos os indivíduos uma associação indissolúvel entre a sua própria felicidade e o bem do todo, especialmente entre a sua própria felicidade e a prática daqueles modos de conduta, negativos e positivos, que a consideração pela felicidade universal prescreve, não só de modo a que estes possam ser incapazes de conceber consistentemente a possibilidade da felicidade para si próprios a par de uma conduta oposta ao bem geral, mas também de modo a que um impulso direc­to para promover o bem geral possa ser em todos um dos motivos habituais das acções, e que os sentimentos ligados a isto possam ocupar um lugar amplo e proeminente na exis­tência sensível de qualquer ser humano.
J. S. Mill, Utilitarismo, Utilitarismo, p. 64

21 fevereiro 2010

O que é a moral?

Estamos enganados acerca da moral. Ela não existe basicamente para punir, para reprimir, para condenar. Para isso há tribunais, polícias, prisões, e ninguém os confunde com a moral. Sócrates morreu na prisão, sendo todavia mais livre que os seus juízes. É talvez aqui que a filosofia começa. É aqui que a moral começa, para cada qual, e recomeça sempre: onde nenhuma punição é possível, onde nenhuma repressão é eficaz, onde nenhuma condenação, pelo menos exterior, é necessária. A moral começa onde nós somos livres: ela é a própria liberdade, quando esta se julga e se dirige.
Querias roubar aquele disco ou aquela peça de roupa numa loja... Mas há um vigilante que te observa, ou um sistema de vigilância electrónica, ou tens simplesmente medo de ser apanhado, de ser punido, de ser condenado... Não é honestidade; é calculismo. Não é moral; é precaução. O medo da autoridade é o contrário da virtude, ou é apenas a virtude da prudência.
Imagina, pelo contrário, que tens esse anel de que fala Platão, o famoso anel de Giges que te torna invisível quando queres... É um anel mágico que um pastor encontrou por acaso. Basta rodar o anel e voltar o engaste para o lado da palma da mão para a pessoa se tornar totalmente invisível, e rodá-lo para o outro lado para voltar a ficar visível. Giges, que era um homem honesto, não soube resistir às tentações a que este anel o submetia: aproveitou os seus poderes mágicos para entrar no Palácio, seduzir a rainha, assassinar o rei, tomar o poder e exercê-lo em seu exclusivo benefício. Quem conta a história n' A República [uma das obras de Platão] conclui que o bom e o mau, ou supostos como tais, não se distinguem senão pela prudência ou pela hipocrisia ou, dito de outra maneira, pela importância desigual que atribuem ao olhar dos outros ou pela sua maior ou menor habilidade em se esconder... Possuíssem um e outro o anel de Giges e nada os distinguiria: «tenderiam ambos para o mesmo fim». Isto é sugerir que a moral não é senão uma ilusão, um engano, um medo disfarçado de virtude. Bastaria podermos tornar-nos invisíveis para que qualquer interdição desaparecesse, e não houvesse senão a procura, por parte de cada um, do seu prazer ou do seu interesse egoístas.
Será isto verdade? Claro que Platão está convencido do contrário. Mas ninguém é obrigado a ser platónico... Para ti, a única resposta válida está em ti mesmo. Imagina, como experiência de pensamento, que tinhas esse anel. Que farias? Que não farias? Continuarias, por exemplo, a respeitar a propriedade dos outros, a sua intimidade, os seus segredos, a sua liberdade, a sua dignidade, a sua vida? Ninguém pode responder por ti: esta questão só a ti diz respeito, mas diz respeito a tudo o que tu és. Tudo aquilo que não fazes, mas que te permitirias se fosses invisível, releva menos da moral que da prudência ou da hipocrisia. Em contrapartida, aquilo que, mesmo invisível, continuarias a obrigar-te ou a proibir-te, não por interesse mas por dever, só isso é estritamente moral. A tua alma tem a sua pedra de toque. A tua moral tem a sua pedra de toque, pela qual te julgas a ti mesmo. A tua moral? Aquilo que exiges de ti, não em função do olhar dos outros ou desta ou daquela ameaça exterior, mas em nome de uma certa concepção do bem e do mal, do dever e do interdito, do admissível e do inadmissível, enfim, da humanidade e de ti. Concretamente: o conjunto das regras às quais te submeterias mesmo que fosses invisível e invencível.
O que é a moral? É o conjunto das coisas a que um indivíduo se obriga ou que proíbe a si mesmo, não para aumentar a sua felicidade ou o seu bem-estar, o que não passaria de egoísmo, mas para levar em conta os interesses ou os direitos do outro, para não ser um malvado, para permanecer fiel a uma certa ideia da humanidade e de si. A moral responde à questão “Que devo fazer?” — é o conjunto dos meus deveres, ou seja, dos imperativos que reconheço como legítimos —- mesmo que, como qualquer pessoa, ocasionalmente os viole. É a lei que imponho a mim mesmo, ou que deveria impor-me, independentemente do olhar do outro e de qualquer sanção ou recompensa esperadas.
(…) Se toda a gente mentisse, ninguém acreditava em ninguém: nem se poderia sequer mentir (pois a mentira supõe a própria confiança que viola) e qualquer comunicação se tornaria absurda ou vã.
Se toda a gente roubasse, a vida em sociedade tornar-se-ia impossível ou miserável: deixaria de haver propriedade, não haveria bem-estar para ninguém nem haveria nada para roubar...
Se toda a gente matasse, seria a humanidade ou a civilização que correriam para a sua perda: haveria apenas violência e medo, e seríamos todos vítimas dos assassinos que seríamos todos...

André COMTE-SPONVILLE - Apresentações da Filosofia, p. 27-35

28 janeiro 2010

Filósofo Pedro Galvão defende direito dos animais à vida e à integridade física e psicológica


















O filósofo Pedro Galvão, da Universidade de Lisboa, esteve ontem, dia 27 de Janeiro, no Externato Infante D. Henrique numa conferência intitulada “Os Animais têm Direitos?”.

Nesta iniciativa a que assistiram cerca de 110 alunos do 10º e 11º ano, bem como professores, Pedro Galvão apresentou alguns dos mais marcantes argumentos e contra-argumentos sobre os Direitos dos Animais, distinguindo as teses dos utilitaristas, filósofos que costumam negar a existência de direitos e dos deontologistas, aqueles que acreditam em direitos morais negativos (os direitos morais colocam-nos apenas a obrigação moral de não intervir na vida dos outros seres). Depois de distinguir entre direitos jurídicos e direitos morais dos animais, Pedro Galvão fez também uma retrospectiva histórica dos direitos dos animais, afirmando que, por exemplo, segundo o filósofo Descartes (Sec. XVII), os animais não têm direitos porque são destituídos de consciência ou vida mental. Mas Pedro Galvão apresentou ainda as perspectivas de Carl Cohen, Jan Narveson (Contratualismo), entre outros. Os contratualistas vêem a ética como uma espécie de contrato (implícito ou hipotético) entre seres humanos racionais, em que cada um de nós concorda em abster-se de fazer certas coisas aos outros (roubar, matar, torturar, etc.) na condição de os outros também procederem assim. O problema da perspectiva contratualista, segundo Pedro Galvão, é deixar de fora do contrato ético não só os animais, mas também muitos seres humanos, tais como bebés, deficientes mentais profundos, doentes mentalmente muito debilitados e seres humanos das gerações futuras. O argumento do especismo, ou seja, que os animais não podem ter direitos porque não pertencem à espécie humana, também foi refutado por Pedro Galvão: segundo este filósofo o especismo é um erro ético análogo ao racismo pois os especistas supõem erradamente que a espécie de um indivíduo é importante em si.
Este filósofo, que desenvolve um projecto de pós-doutoramento sobre identidade pessoal e o mal de matar na Universidade de Lisboa, defendeu, por isso, que não há bons argumentos para restringir os direitos morais aos seres humanos. Assim, na sua perspectiva, os animais devem ter alguns direitos, nomeadamente o direito à integridade física e psicológica, devendo, por isso os humanos evitar o seu sofrimento. Pedro Galvão defendeu também que é plausível que pelo menos os animais conscientes de si tenham o direito à vida (dando exemplo dos Símios). Pedro Galvão é também da opinião que devemos mudar radicalmente o modo como hoje tratamos os animais. Não podemos sacrificar os interesses mais importantes dos animais para satisfazer interesses triviais. Mas é isso que acontece sistematicamente, nomeadamente na criação intensiva de animais para a nossa alimentação, no uso de animais em experiências científicas, na indústria de cosméticos ou entretenimento, como acontece no circo ou nas touradas.
Esta actividade foi organizada pelo Departamento de Ciências Sociais e Humanas (Grupo de Filosofia) do Externato Infante D. Henrique.

26 janeiro 2010

Temos que falar...

...sobre isto...
Comparece amanhã, às 14.25 horas,
no Centro de Recursos Educativos
do Externato Infante D. Henrique

*documento enviado gentilmente pelo prof. Manuel Augusto

O Departamento de Ciências Sociais e Humanas (Grupo de Filosofia) do Externato Infante D. Henrique, de Ruílhe, Braga, convida alunos e professores a estarem presentes na conferência intitulada “Os animais têm Direitos?”, com o filósofo Pedro Galvão, a ter lugar na próxima quarta-feira, dia 27 de Janeiro, pelas 14:25 horas, no Auditório do Centro de Recursos Educativos. Nesta conferência o Doutor Pedro Galvão começará por explicar o que é um direito moral e esclarecerá alguns aspectos da vida mental dos animais. Neste contexto, este filósofo refutará a ideia de que os direitos morais são exclusivos dos seres humanos. No entanto, mesmo que nenhum animal tivesse direitos, isso não significaria que não temos obrigações éticas directas para com os animais. Pedro Galvão abordará também o desrespeito moral no uso de animais na alimentação, na ciência e para fins recreativos. Para inscrever-se devem enviar um mail com o nome e escola para o seguinte endereço: participo@alfacoop.pt .

O Doutor Pedro Galvão é Investigador no Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, onde desenvolve um projecto de pós-doutoramento sobre identidade pessoal e o mal de matar. É autor do livro “Do Ponto de Vista do Universo” e de diversos artigos de ética filosófica, publicados em revistas nacionais e internacionais. Organizou o livro “A Ética do Aborto”, bem como edições portuguesas dos clássicos Utilitarismo, de J. S. Mill, e Fundamentação da Metafísica dos Costumes, de Immanuel Kant. É também um dos autores dos manuais “A Arte de Pensar” e de outras publicações didácticas. Está a organizar um livro sobre o problema dos direitos dos animais.

21 janeiro 2010

Conferência a 27 de Janeiro. Não Faltes!


DIREITOS DOS ANIMAIS 1
"(...) De modo que matar um chimpanzé, por exemplo, é pior que matar um ser humano que, devido a uma deficiência mental congénita, não é nem pode vir a ser uma pessoa"

DIREITOS DOS ANIMAIS 2
"É bem possível que estes mamíferos (baleias e os golfinhos) com cérebros grandes se revelem seres racionais e autoconscientes"

DIREITOS DOS ANIMAIS 3
De acordo com números oficiais do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos , cerca de 140.000 cães e 42.000 gatos morrem nos laboratórios dos EUA todos os anos e um número menor mas considerável é usado em todos os países «desenvolvidos».

DIREITOS DOS ANIMAIS4
"A relação entre mãe e cria nos mamíferos pode constituir uma fonte de sofrimentos intenso se alguma delas morrer ou for levada"

DIREITOS DOS ANIMAIS 5

"Para promover as atitudes moralmente correctas de consideração pelos animais, incluindo os não autoconscientes, talvez seja melhor considerar como princípio elementar evitar matá-los para os comer"


Citações de Peter Singer, do livro Ética Prática