09 fevereiro 2012

Contra-argumento à Teoria dos Mandamentos Divinos

Canadá: prisão perpétua para família islâmica que assassinou três filhas
Um tribunal do Canadá condenou ontem Mohammad Shafia, a sua segunda mulher e filho de ambos, a prisão perpétua pelo assassinato de quatro elementos da família. O casal afegão a residir no Canadá decidiu assassinar as três filhas e a primeira mulher do patriarca num casamento poligâmico. Os procuradores afirmaram que o crime foi cometido por as raparigas terem "desonrado" a família, ao não obedecerem ao estrito código islâmico, pelo modo como se vestiam, por saírem com rapazes e por utilizarem a Internet.
Ler mais aqui (jornal EXPRESSO)

Para que serve a ética?

06 fevereiro 2012

Porque é que o subjetivismo não explica os desacordos morais?

Para o subjetivista parece não haver ideias opostas sobre a mesma realidade porque o valor de verdade de qualquer facto moral depende apenas do sujeito (se expressar com sinceridade o seu sentimento, o juízo moral é verdadeiro; se for o contrário é falso).
Vejamos o seguinte juízo moral:
“O extermínio de judeus pelos nazis foi correto.”
Segundo os subjetivistas este juízo será verdadeiro se o sujeito expressar o que, de facto, pensa; e será falso se disser o contrário daquilo que pensa. Mas afirmar que “o extermínio dos judeus é correto” é diferente de afirmar que “o extermínio dos judeus é incorreto”. O 1º e o 2º juízo revelam realmente que há desacordo de dois sujeitos quanto ao extermínio de judeus e, por isso, um será verdadeiro e outro falso. Mas para o subjetivista revelam apenas que os dois sujeitos têm sentimentos diferentes relativamente ao facto moral “extermínio de judeus” e ambos são verdadeiros. Ora, há aqui uma contradição real: o extermínio de judeus não pode ser simultaneamente correto e incorreto. Por outro lado, sendo os dois juízos verdadeiros não faz sentido debater o tema, seria um ato inútil, considerando que não há uma verdade independente de cada sujeito. Inviabilizando o debate racional, o subjetivismo torna absurdo qualquer esforço racional para encontrar os melhores princípios éticos e respetiva justificação.

27 janeiro 2012

Sistema de valores racional

Um sistema de valores é "racional" — e, nessa medida, digno de respeito — caso se baseie numa correcta compreensão dos factos e numa preocupação em considerar todas as pessoas de igual modo. O nazismo, a escravatura, a segregação racial são irracionais — têm a ignorância como único fundamento ou constituem violações da exigência de imparcialidade para com os nossos semelhantes.

Harry Gensler

Extraído daqui


O que é a moral?

O que é a moral? É o conjunto das coisas a que um indivíduo se obriga ou que proíbe a si mesmo, não para aumentar a sua felicidade ou o seu bem estar, o que não passaria de egoísmo, mas para levar em conta os interesses ou os direitos do outro, para não ser um malvado, para permanecer fiel a uma certa ideia da humanidade e de si. A moral responde à questão Que devo fazer? — é o conjunto dos meus deveres, ou seja, dos imperativos que reconheço como legítimos —- mesmo que, como qualquer pessoa, ocasionalmente os viole. É a lei que imponho a mim mesmo, ou que deveria impor-me, independentemente do olhar do outro e de qualquer sanção ou recompensa esperadas.

COMTE-SPONVILLE, André - Dictionnaire philosophique

Como responder à diversidade cultural entre sociedades?


Ana rejeita a atitude dogmática do género “Nós estamos certos e eles errados”. Percebe a necessidade de compreender as sociedades. Estas são ideias positivas. Mas, em seguida, afirma também que nenhum dos lados pode estar errado. Isto limita a nossa capacidade para aprender. Se a nossa cultura não pode estar errada, não pode aprender com os seus próprios erros. Compreender as normas de outras culturas não permitirá ajudar-nos a corrigir os erros (…) [da nossa cultura, uma vez que esta não está errada (ou certa)]. Ana rejeita a crença em valores objectivos e chama-lhe o “mito da objectividade”. Nesta perspectiva, as coisas são um bem ou mal apenas relativamente a esta ou àquela cultura. Não são objectivamente boas ou más, como Kant pensava. Mas será [a objectividade dos valores] realmente um “mito”? O ponto de vista objectivista [ou essencialista] afirma que algumas coisas são objectivamente um bem ou um mal, independentemente do que possamos pensar ou sentir; contudo, esta perspectiva está preparada para aceitar algum relativismo noutras áreas. Muitas regras sociais são claramente determinadas por padrões locais: Regra local: “É proibido virar à direita com a luz vermelha”. Regra de etiqueta local: “Use o garfo apenas com a mão esquerda”.
É necessário respeitar este género de regras locais; ao proceder de outra maneira podemos ferir as pessoas, quer porque chocámos contra os seus carros, quer porque ferimos os seus sentimentos. Na concepção objectivista, a exigência de não magoar as outras pessoas é uma regra de um género diferente – uma regra moral – não determinada por costumes locais. Considera-se que as regras morais possuem mais autoridade do que as leis governamentais ou as regras de etiqueta; são regras que qualquer sociedade deve respeitar se quiser sobreviver e prosperar. Se visitarmos um lugar cujos padrões permitem magoar as pessoas (…), então esses padrões estão errados. O relativismo cultural disputa [discorda] esta afirmação. A ideia é que os padrões locais são determinantes, ainda que se trate de princípios morais básicos; assim, ferir outras pessoas (…) é um bem se esta atitude for socialmente aprovada. Respeitar as diferenças culturais não nos transforma em relativistas culturais. Este é um falso estereótipo. O que caracteriza o relativismo cultural é a afirmação de que tudo o que é socialmente aprovado é um bem”.
(Texto adaptado) Harry Gensler, Ética e Relativismo Cultural

12 janeiro 2012

Estamos determinados pelos acontecimentos anteriores?

Segundo o determinismo radical, o livre-arbítrio é incompatível com o determinismo, isto é, se tudo está causalmente determinado não temos livre-arbítrio (capacidade de escolher em liberdade). Como tudo está determinado, o livre-arbítrio não existe. Sendo assim, perante determinada situação, e caso os acontecimentos anteriores não se alterem, não podemos agir de modo diferente daquele que agimos, isto é o mesmo que afirmar que, dada uma certa cadeia causal, o seu efeito não pode ser diferente do que é. O determinista radical define “estar causalmente determinado” como a impossibilidade de alguém poder decidir e querer algo diferente daquilo que efectivamente decidiu. Assim, para o determinista radical a liberdade é uma mera ilusão, pois, por vezes temos a falsa sensação de liberdade porque fazemos aquilo que queremos sem que ninguém nos impeça de fazê-lo, não conhecendo as verdadeiras causas que motivaram essa acção. Contudo, existem histórias de vida que provam a existência da liberdade e que nem sempre somos constrangidos por acontecimentos anteriores, ou seja, nem sempre o nosso passado nos impede de chegar onde queremos, basta saber usar corretamente a nossa liberdade…

A história de Nick é um óptimo exemplo “disso” mesmo. Nick teve a infelicidade de nascer sem membros (superiores e inferiores), estando à partida, determinado a tornar-se uma pessoa incapacitada para o resto da sua vida. Contudo, ele conseguiu provar que ninguém está determinado pelo seu passado, pois, caso isso fosse verdade, atualmente Nick não faria aquilo que faz (note-se que os acontecimentos passados mantiveram-se os mesmos) como: jogar à bola, surfar, pentear o cabelo, lavar os dentes entre outras tarefas. As quais, analisando os acontecimentos antecedentes (o facto de ter nascido sem extremidades), seriam impossíveis de ser concretizadas. Porém, Nick, soube usar eficientemente a sua liberdade e construir o seu próprio projecto de vida, encargo esse que foi verdadeiramente condicionado pelo seu passado, mas não impedido. Nick não se limitou a ficar parado, pelo contrário, decidiu lutar contra os obstáculos que a vida lhe proporcionou, mostrando que o livre- arbítrio, isto é, esta capacidade de decidir em liberdade existe mesmo, não sendo apenas uma mera ilusão como o determinista radical defende. Liberdade essa que quando utilizada correctamente/com inteligência (tal como Nick fez), só nos favorecerá…

(Texto e Vídeo sugerido por Cristina Coelho-10ºB)

O teu tempo é limitado!



“O teu tempo é limitado, por isso não o gastes a viver a vida de outra pessoa. Não caias na armadilha do dogma, que é viver de acordo com os resultados do pensamento de outras pessoas. Não deixes que o barulho criado pela opinião dos outros silencie a tua voz interior. E, acima de tudo, tem a coragem de seguir o teu coração, a tua intuição.”
Steve Jobs (fundador da Apple)

Somos tão livres como um computador?


O problema acerca da existência da liberdade humana pode ser apresentado numa formulação preliminar. As nossas crenças e desejos, e portanto, o nosso comportamento, são causados por coisas fora do nosso controlo. Não escolhemos livremente os nossos genes nem a sequência de ambientes em que crescemos. Se não os escolhemos livremente, porquê dizer que o nosso comportamento é o resultado de uma escolha livre da nossa parte? Como podemos ser responsáveis por ações causadas por acontecimentos (que tiveram lugar há muito tempo) sobre os quais não exercemos qualquer controlo? Aparentemente, somos tão livres como um computador: um computador comporta-se como o faz porque foi programado para isso.

Elliott Sober, Tradução de Paulo Ruas
Core Questions in Philosophy

05 dezembro 2011

Fosso entre ricos e pobres cresceu em Portugal - TSF

Em Portugal o fosso entre os que ganham mais e os trabalhadores que ganham menos está a aumentar. Um estudo da Organização Internacional do Trabalho, demonstra, que entre os mais bem remunerados e os que recebem os salários mais baixos, a diferença é grande e tem tendência a piorar. Portugal faz parte do grupo de países que registou maiores aumentos entre os 10 por cento de trabalhadores que ganham mais face ao mesmo número que recebe menos.

29 novembro 2011

Médicos declaram Breivik demente e inimputável - Mundo - PUBLICO.PT



Considerando o que aprendeste sobre a rede conceptual da ação humana, poderá Breivik ser responsabilizado pelos atos horrendos que praticou?

31 outubro 2011

Afinal, onde nasceu o bebé sete mil milhões? - Sociedade - PUBLICO.PT



Somos 7 mil milhões de pessoas em todo o mundo.
Somos 7 mil milhões de pessoas a viver, que é como quem diz, a a consumir bens produzidos a partir da exploração do planeta, da natureza.
Somos 7 mil milhões de pessoas no planeta mas há 60 anos éramos apenas 2 mil milhões e no início do século XIX éramos apenas 1 bilião de pessoas.
Somos 7 mil milhões de pessoas mas não sabemos como será o futuro do bebé 7 mil milhões . Será feliz ou infeliz?

28 outubro 2011

Advogado de Duarte Lima considera que argumentação da acusação brasileira não é SÓLIDA nem COGENTE!

Verifica aqui porquê!


"João Costa Ribeiro Filho argumenta que a acusação se fundamenta apenas em provas recolhidas, de forma “tendenciosa”, pela polícia."

"As imputações feitas não têm qualquer cabimento, não apresentando solidez-fática. Tratam-se, na verdade, de meras presunções, ilações e conjecturas, sem qualquer respaldo na prova dos autos."


"Os pontos da acusação - que desde já considero completamente frágeis e infundados - serão categoricamente rebatidos e rechaçados e a contraprova evidenciará a absoluta inocência de meu cliente", conclui.





16 outubro 2011

Em tempos de crise, uma atitude filosófica pode ajudar!

Filósofo inglês escreve livro em que defende que a crise pode ter efeitos positivos.

Pensar é o desafio lançado no novo livro de Robert Rowland Smith. «Uma viagem com Platão» convida o leitor a um passeio de carro invulgar. O livro propõe viagem pelos momentos marcantes da vida, do primeiro beijo às crises de meia-idade pelos olhos da filosofia. «Uma viagem com Platão» já está traduzido em português. Quem não sabe andar de bicicleta pode sempre saltar o capítulo. Ou aproveitar para aprender.
Visualiza aqui a reportagem da TVI sobre este assunto.


29 setembro 2011

Cursos a que podes concorrer com o exame de Filosofia


Consulta aqui a informação oficial sobre as provas de ingresso para candidatura ao ensino superior em 2012, 2013 e 2014. Fica assim a saber quais os cursos a que te podes candidatar com o exame de Filosofia.

13 setembro 2011

Exame de filosofia é opção este ano!

A partir deste ano letivo os alunos do Ensino Secundário podem optar, em todas as áreas de estudo, por realizar o exame de Filosofia no 11ºano em vez de um dos exames a uma disciplina específica terminal. Diz o Decreto Lei nº 50/2011, de Revisão Curricular do Ensino Secundário que  a "avaliação sumativa externa realiza-se no ano terminal da respectiva disciplina e aplica-se aos alunos dos cursos científico-humanísticos, nos termos seguintes:
a) Na disciplina de Português da componente de formação geral (12ºano);
b) Na disciplina trienal da componente de formação específica (12ºano);
c) Nas duas disciplinas bienais da componente de formação específica (11ºano), ou numa das disciplinas bienais da componente de formação específica e na disciplina de 
Filosofia da componente de formação geral (11º ano), de acordo com a opção do aluno."


Assim, a escolha de realização do exame de Filosofia em vez de uma disciplina específica é uma opção do aluno. Procura esclarecimentos junto do teu professor de filosofia

06 julho 2011

Sócrates, a Filosofia e o País

A notícia de que Sócrates vai estudar Filosofia para Paris durante um ano surpreendeu muitos e surpreendeu-me também a mim. Mas foi uma boa notícia. Considero que muitos outros políticos lhe deveriam seguir o exemplo. Como profissional de uma das áreas de conhecimento mais antigas na história da humanidade reconheço que, quer a nível pessoal quer a nível da organização social e política muito teríamos a ganhar se houvesse uma aposta alargada e melhor estruturada na formação filosófica no nosso sistema de ensino. Somos, diz-se, um povo de brandos costumes e isso é bom, mas também somos um povo acrítico e isso é mau. Somos um povo pouco autêntico, um povo que valoriza mais o “ter” do que o “ser”, que pensa pouco. Formamos muitos jovens que dominam habilmente as novas tecnologias mas são incapazes de formular e expressar um raciocínio crítico devidamente estruturado sobre o melhor ou o pior sistema económico ou político ou sobre os fundamentos de uma decisão política, empresarial ou pessoal. É a geração do “Porque sim!”, educada por outras gerações que não tiveram a oportunidade de aprender filosofia ou que viveram amordaçadas sob o signo do medo. Ora a formação filosófica pode dar um importante contributo para a mudança. Porque em filosofia aprende-se que não há teorias filosóficas, económicas, políticas ou científicas absolutamente certas ou erradas e que, por isso, o importante é procurar boas razões/argumentos apoiados no conhecimento adequado dos problemas e no testemunho dos grandes pensadores para aceitar ou recusar determinadas teorias. Em Filosofia aprende-se que uma vida autêntica e com sentido exige uma tomada de posição esclarecida e apoiada em bons argumentos. Aprende-se que a verdade é uma meta inalcançável e que, por isso, teremos que ser permanentemente críticos e curiosos. Em filosofia pergunta-se mais do que se responde, aprende-se a encarar a dúvida não como uma atitude de fraqueza mas um sinal de sabedoria. E já agora, em filosofia, entre outras coisas, aprende-se que todos os homens são iguais, que o homem é um fim em si mesmo e não um meio e que a dignidade humana é um carácter essencial e intrínseco a qualquer ser humano. Ora, se quem nos governa e quem elege quem nos governa pensasse assim, o mundo e o país estariam bem melhores. José Saramago numa entrevista concedida ao Expresso, dizia, com alguma autoridade que “na sociedade actual nos falta filosofia. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar e parece-me que sem ideias não vamos a parte nenhuma.”

E não vamos mesmo, digo eu.

Programação das AULAS DE FILOSOFIA - RTP Madeira com o Prof. Rolando Almeida

Podes aceder às aulas de Filosofia da RTP Madeira, lecionadas pelo Prof. Rolando Almeida (na foto), acedendo aos links abaixo.  TELENSINO (R...