01 novembro 2012

No pensar é que está o ganho!


«Pensar», respondi eu. Franziram o nariz. Perguntavam-me se veria algum caminho para a resolução das crises que nos assolam. As crises que por aí andam a torturar-nos a felicidade são de índoles várias. Temos a crise de valores, a crise económica, a crise política, a crise de fé, a crise de afectos. Todas elas estão relacionadas entre si e conspiram para nos atazanar o juízo. Daí, talvez que a urgência da pergunta esperasse da resposta uma solução concreta, prática, rápida.
A minha resposta era o oposto. Não por embirração, mas por convicção. Estará subvalorizada a importância do pensamento crítico, estruturado e criativo na resolução dos problemas que nos afligem. Talvez se deva ao ritmo frenético a que vivemos e que obriga à tomada de decisões imediata, que resulta, frequentemente, numa tomada de decisões irreflectida. Haverá, pois, quem valorize mais a acção, mas tenho para mim que acção sem pensamento que a sustente é tão estéril quanto o pensamento que não gera acção. 
(...)
O importante é deixarmos as certezas que tínhamos de lado e darmo-nos à interrogação. Não o poderemos fazer sozinhos, claro. Devemos acompanhar-nos de bons mestres. Os mais importantes são os livros. Mas todas as formas artísticas ajudam a desarranjar a mente para que a possamos voltar a arranjar depois. Será por isso que os inimigos do livre pensamento tanto tentam apequenar as artes e a cultura.
(Parte de texto de Ana Bacalhau publicado no Diário de Notíciasi)

01 outubro 2012

O que é a validade de um argumento?

A validade tem a ver com o seguinte:
Com a relação entre premissas e conclusão: num argumento válido premissas sustentam, apoiam ou justificam logicamente uma conclusão;
Com a  relação entre o valor de verdade das premissas e o valor de verdade da conclusão:

Um argumento válido é aquele em que se as premissas fossem verdadeiras e houvesse uma ligação logicamente correta, a conclusão seria necessariamente verdadeira (é impossível ser falsa – VALIDADE DEDUTIVA).
 ex.
Todos os abdus (A) são zeblins  (B)
Imal(C) é um abdu (A)
Logo, Imal (C) é um zeblim (B)

2. Um argumento válido é aquele em que se as premissas fossem verdadeiras e houvesse uma ligação logicamente correta, a conclusão seria muito provavelmente verdadeira
      (é improvável mas não impossível ser falsa – VALIDADE INDUTIVA).

ex.
Todos os cisnes observados até hoje são brancos
Logo,  todos os cisnes são brancos



Bem-vindo ao Alfafilos, ano letivo 2012-13!

09 junho 2012

Seremos bestas?

Uma célebre frase do Filósofo grego Aristóteles diz que “o homem é por natureza um animal político”. Pretendia este pensador salientar que faz parte da natureza humana viver e participar num estado e numa sociedade política. Pretendia também Aristóteles chamar atenção para a inevitalidade da ligação e integração do ser humano no Estado chegando a afirmar que nenhum homem se consegue colocar à margem do sistema social/político. Quem vivesse à margem do estado e do sistema social/político ou seria um Deus ou uma besta. Como explicar então que, sendo vítimas de um sistema social/político onde a ética, a justiça, a equidade, a solidariedade, a transparência, a verdade e o respeito são pura ficção, continuemos alheados da participação cívica e política? Como explicar a nossa inércia cívica, estando conscientes que essa atitude tem permitido que dezenas de responsáveis políticos/económicos/institucionais e seus correligionários continuem a levar o país para o abismo? Como explicar o nosso alheamento face à participação no sistema político e, sobretudo, face aos partidos que são o pilar (infelizmente frágil) da nossa democracia? Ora, aceitando que Aristóteles tem alguma razão, aceitando que não somos deuses, pergunto:  seremos bestas? 

Programação das AULAS DE FILOSOFIA - RTP Madeira com o Prof. Rolando Almeida

Podes aceder às aulas de Filosofia da RTP Madeira, lecionadas pelo Prof. Rolando Almeida (na foto), acedendo aos links abaixo.  TELENSINO (R...