30 setembro 2015

O que é a filosofia?

O que é a filosofia? Esta é uma questão notoriamente difícil. Uma das formas mais fáceis de responder é dizer que a filosofia é aquilo que os filósofos fazem, indicando de seguida os textos de Platão, Aristóteles, Descartes, Hume, Kant, Russell, Wittgenstein, Sartre e de outros filósofos famosos. Contudo, é improvável que esta resposta possa ser realmente útil se o leitor está a começar agora o seu estudo da filosofia, uma vez que, nesse caso, não terá provavelmente lido nada desses autores. Outra forma de abordar a questão é indicar que a palavra «filosofia» deriva da palavra grega que significa «amor da sabedoria». Contudo, isto é muito vago e ainda nos ajuda menos do que dizer apenas que a filosofia é aquilo que os filósofos fazem. Precisamos, por isso, de alguns comentários gerais sobre o que é a filosofia.
A filosofia é uma actividade: é uma forma de pensar acerca de certas questões. A sua característica mais marcante é o uso de argumentos lógicos. A actividade dos filósofos é, tipicamente, argumentativa: ou inventam argumentos, ou criticam os argumentos de outras pessoas ou fazem as duas coisas. Os filósofos também analisam e clarificam conceitos. (…)
Que tipo de coisas discutem os filósofos desta tradição? Muitas vezes, examinam crenças que quase toda a gente aceita acriticamente a maior parte do tempo. Ocupam-se de questões relacionadas com o que podemos chamar vagamente «o sentido da vida»: questões acerca da religião, do bem e do mal, da política, da natureza do mundo exterior, da mente, da ciência, da arte e de muitos outros assuntos. Por exemplo, muitas pessoas vivem as suas vidas sem questionarem as suas crenças fundamentais, tais como a crença de que não se deve matar. Mas por que razão não se deve matar? Que justificação existe para dizer que não se deve matar? Não se deve matar em nenhuma circunstância? E, afinal, que quer dizer a palavra «dever»? Estas são questões filosóficas. Ao examinarmos as nossas crenças, muitas delas revelam fundamentos firmes; mas algumas não.
O estudo da filosofia não só nos ajuda a pensar claramente sobre os nossos preconceitos, como ajuda a clarificar de forma precisa aquilo em que acreditamos. Ao longo desse processo desenvolve-se uma capacidade para argumentar de forma coerente sobre um vasto leque de temas,-- uma capacidade muito útil que pode ser aplicada em muitas áreas. (…)
Qual é afinal a importância de estudar filosofia? Na verdade, a caricatura do filósofo é geralmente a de alguém que é brilhante a lidar com pensamentos altamente abstractos no conforto de um sofá, numa sala de Oxford ou Cambridge, mas incapaz de lidar com as coisas práticas da vida: alguém que consegue explicar as mais complicadas passagens da filosofia de Hegel, mas que não consegue cozer um ovo.Uma razão importante para estudar filosofia é o facto de esta lidar com questões fundamentais acerca do sentido da nossa existência. A maior parte das pessoas, num ou noutro momento da sua vida, já se interrogou a respeito de questões filosóficas. Por que razão estamos aqui? Há alguma demonstração da existência de Deus? As nossas vidas têm algum propósito? O que faz com que algumas acções sejam moralmente boas ou más? Poderemos alguma vez ter justificação para violar a lei? Poderá a nossa vida ser apenas um sonho? É a mente diferente do corpo, ou seremos apenas seres físicos? Como progride a ciência? O que é a arte? E assim por diante.
Nigel Warburton                                                                                                                             Texto adaptado de “Elementos Básicos de Filosofia” 

21 maio 2015

As teorias científicas mudam!



Como se faz ciência?

Para compreender o que é a ciência basta olhar ao seu redor. O que vê? Talvez a mão sobre o rato, um ecrã de computador, papéis, canetas esferográficas, o gato da família, o sol brilhando através da janela …. A ciência é, em certo sentido, o nosso conhecimento de tudo isso — todas as coisas que há no universo: das menores partículas subatómicas num único átomo do metal nos circuitos do seu computador, às reações nucleares que formaram a imensa bola de gás que é o nosso sol, às complexas interações químicas e flutuações elétricas dentro do seu próprio corpo que lhe permitem ler e entender estas palavras.
Consulta aqui o "verdadeiro processo da ciência"

29 abril 2015

Podemos confiar na ciência?




Estudo usado como argumento para a austeridade colocado em causa






Revista científica retira artigo que relacionava milho transgénico ao cancro



A regra Maximin, segundo John Rawls

O princípio da diferença na Teoria da Justiça de John Rawls exige da estrutura básica e do Estado e respetivas instituições, um mínimo social que não só garanta dignidade da pessoa mas também maximize as perspetivas de vida dos menos favorecidos ao longo do tempo. Esta ideia está expressa pela regra Maximin que define como as partes pensam em condições de incerteza. Assim, o princípio Maximin obriga a identificar, na posição original, o pior resultado de cada alternativa disponível e adotar a alternativa cujo pior resultado é melhor do que os piores resultados de todas as outras alternativas. Ou seja, defende uma escolha racional que protege os mais pobres. Paradoxalmente, parece um princípio de escolha racional incompatível com um regime liberal. Tomemos o exemplo do atual governo português de cariz liberal e o modo como tem sido definida, orientada e regulada a educação em Portugal, particularmente no que concerne à avaliação externa dos alunos. As práticas dos atuais responsáveis pela educação não indiciam que, supostamente colocados na posição original, escolhessem o Princípio Maximin (escolha do «melhor, pior» resultado) mas sim o Princípio Maximax (escolha do «melhor, melhor» resultado) nas palavras de J Jonathan Wolf (2004). Estes governantes têm dado especial enfoque aos resultados da avaliação externa[1], no sentido de procurar melhorar a eficácia ou eficiência do sistema e, eventualmente, a qualidade do ensino. Uma das últimas medidas tomadas prevê que se atribuam prémios sob a forma de créditos horários às escolas que apresentem melhores resultados nos exames nacionais. Trata-se de um critério de avaliação eventualmente meritocrático das escolas, que penaliza as escolas com piores resultados e, naturalmente, os alunos mais desfavorecidos que frequentam essas escolas. O princípio Maximin aplicado na posição original e, eventualmente, a esta situação concreta, talvez fosse socialmente mais justo. Rawls, por seu lado, admite, assim, a desigualdade na distribuição de determinados bens básicos (riqueza e rendimento) no pressuposto dessa desigualdade melhorar as condições de vida de todos mas em especial dos menos favorecidos.




[1] Ver Um terço das escolas superam-se e recebem “prémio” de Crato (2015). Público Online. Consultada a 3 de março de 2015 em http://www.publico.pt/sociedade/noticia/um-terco-das-escolas-superamse-e-recebem-premio-de-crato-1667592?page=-1

Programação das AULAS DE FILOSOFIA - RTP Madeira com o Prof. Rolando Almeida

Podes aceder às aulas de Filosofia da RTP Madeira, lecionadas pelo Prof. Rolando Almeida (na foto), acedendo aos links abaixo.  TELENSINO (R...