27 janeiro 2009

A argumentação na comunicação empresarial

A importância dos argumentos

Qual é a importância dos argumentos para profissionais de comunicação empresarial? O objectivo de um profissional desta área, muitas vezes, não é apenas informativo: não se trata apenas de transmitir informação sobre um certo estado de coisas. Por vezes, o objectivo é influenciar uma decisão ou uma opinião. Acontece que só há duas maneiras de influenciar uma decisão ou uma opinião: através da persuasão ilícita ou através da argumentação. Na persuasão ilícita procura-se enganar o destinatário através de todos os recursos que vão desde o uso da força física até às mais rebuscadas formas de trapaça, de que são especialistas sobretudo os maus políticos, os maus jornalistas e os maus especialistas em marketing e publicidade. (…)
Voltemos ao nosso tema: qual é afinal a importância dos argumentos? Os argumentos são importantes porque é com base neles que tomamos decisões — desde as decisões pessoais até às decisões profissionais. Uma empresa tem de tomar decisões constantemente. Essas decisões apoiam-se em razões, ou informações, ou dados. Com base nos nossos objectivos empresariais e nos dados disponíveis tomamos uma decisão. Mas os dados disponíveis não se organizam sozinhos; não são uma espécie de sinais de trânsito claramente dispostos que indicam onde devemos virar se queremos ir para determinado sítio. Os dados e as informações só podem ser a base para a tomada de decisões se estiverem organizados; caso contrário, não passam de um agregado amorfo de dados e informações sem qualquer valor para a tomada de decisões, como um monte de sinais de trânsito dispostos sem nenhuma organização especial.
Argumentar é usar essas informações e esses dados para que constituam verdadeiros sinais de trânsito que nos dizem onde virar se quisermos ir para determinado sítio. Argumentar é organizar dados e informações de forma a mostrar qual a melhor decisão a tomar.

A argumentação

(…) Mas o que é exactamente um argumento? Um argumento é uma certa quantidade de informação ou dados organizados de forma a sustentarem uma certa decisão, opinião ou teoria. Chama-se "premissas" a essa informação ou dados; e chama-se "conclusão" à decisão, opinião ou teoria que queremos defender. Por exemplo, podemos desejar fazer uma proposta para vender um certo serviço a uma empresa. Temos de conseguir convencer os quadros dessa empresa de que vale a pena contratar os nossos serviços. Para isso temos de organizar um conjunto de informações relativas à nossa empresa, relativas à empresa cliente e relativas aos ganhos e custos do serviço que queremos vender. Organizar toda essa informação para que a conclusão legítima seja a contratação dos nossos serviços é argumentar a favor da contratação dos nossos serviços. (…)
Aos bons argumentos, os chamados argumentos correctos ou válidos, opõem-se os maus argumentos, os chamados argumentos incorrectos ou inválidos. O que é um argumento inválido ou mau? Um argumento inválido é um argumento que não sustenta a verdade da sua conclusão. Se um argumento for inválido as premissas, ainda que sejam todas verdadeiras, não sustentam a conclusão. O que significa que uma pessoa pode concordar com todas as premissas, mas recusar a conclusão. Por isso é que os bons argumentos, válidos ou informais, são tão importantes: são os únicos que nos conduzem às suas conclusões.
Mas repare-se numa subtileza. Dado um argumento válido podemos afirmar que ele conduz a uma conclusão verdadeira? A resposta, talvez surpreendente, é «não». Um argumento válido só conduz a uma conclusão verdadeira se todas as suas premissas forem verdadeiras. A verdade das premissas e a validade do raciocínio conduzem, ambos e apenas ambos, à verdade da conclusão. Por isso, na argumentação, a verdade e a validade andam de mãos dadas, e é preciso dar tanta atenção à validade ou correcção dos nossos raciocínios quanto à verdade das premissas usadas.
Há 4 tipos de argumentos informais:
Nos argumentos com base em exemplos as premissas consistem num conjunto de exemplos que visam sustentar a conclusão.
Nos argumentos por analogia as premissas estabelecem uma relação de semelhança entre duas coisas. Afirma-se que uma vez que num certo caso X se defende que Y então no caso Z se deve defender também Y porque X é semelhante a Z.
Nos argumentos de autoridade citam-se certas fontes e especialistas que dispõem de dados fidedignos de que nós não dispomos.
Os argumentos causais visam estabelecer uma relação causal entre dois ou mais tipos de fenómenos.
Cada um destes tipos de argumentos tem regras próprias, que podem ser preliminarmente estudadas no livro "A Arte de Argumentar", de Anthony Weston.

Algumas regras gerais

Vou agora, para terminar, falar de algumas regras gerais da arte de argumentar. Antes, porém, tenho de alertar o leitor para uma coisa. Hoje em dia está um pouco na moda, em alguns países, a retórica. Não se confunda a retórica de que em geral se fala com a argumentação de que falo aqui. A retórica de que em geral se fala é a arte de enganar; é a arte de usar todos os dispositivos possíveis para influenciar o auditório, apelando para os seus instintos mais baixos, ou para argumentos que parecem razoáveis mas não o são (as falácias). Daí que os amantes da retórica tenham a tendência para dizer que a retórica ultrapassa as limitações da lógica. Sejamos claros: se um argumento for mau, ou incorrecto, ou inválido, por mais retórica que se use, por mais que esse argumento funcione junto das pessoas em geral, continua a ser um mau argumento e quem está a usá-lo está a enganar as pessoas. Não há maneira de a retórica ultrapassar a lógica porque não há maneira de a retórica tornar um mau argumento num bom argumento; claro que a retórica pode tornar um argumento claramente mau num argumento que parece bom e é capaz de enganar as pessoas. (…)
Vamos então a algumas regras gerais.
É altamente improvável que se consiga defender bem uma proposta se não se tiver pensado cuidadosamente nas razões que as sustentam. E nunca devemos imaginar que pensámos cuidadosamente numa proposta se não tivemos em conta os argumentos contra a nossa proposta. Para defender bem uma certa proposta é preciso compreender bem as propostas contrárias. Temos de fazê-lo cuidadosamente. Temos de nos colocar na posição de alguém que não quer concordar com a nossa proposta: que argumentos poderá essa pessoa apresentar?
Quando pensamos nas razões que sustentam a nossa proposta temos de fazer uma selecção do que é verdadeiramente importante. É preferível apresentar três boas razões a favor de uma proposta do que 10 razões em que umas são fracas e outras fortes. Depois de feita essa selecção temos de estudar cuidadosamente o tipo de argumentos que poderemos usar. Cada tipo de argumento tem as suas regras. Se usarmos um argumento dedutivo, tem de ser logicamente válido; se usarmos um argumento causal, temos de mostrar claramente que há de facto uma relação de causalidade e não apenas uma coincidência. Em todos os casos, temos de demarcar claramente as nossas conclusões das nossas premissas. E em todos os casos temos de nos lembrar que as nossas premissas têm de ser claramente verdadeiras; se forem falsas, o argumento é irrelevante — ainda que seja válido.
E temos de ter cuidado para não cometer falácias. As falácias são erros de raciocínio comuns porque são argumentos incorrectos que parecem correctos. Se estivermos familiarizados com as falácias, não nos deixaremos enganar quando alguém nos tenta convencer com uma falácia; e se formos honestos, não usaremos falácias, apesar de sabermos que a probabilidade de sucesso é elevada.
Devemos usar uma linguagem constante ao longo da nossa proposta ou relatório. Não devemos usar sinónimos para tornar o texto variado. Um dos maiores defeitos da escrita dos portugueses, além da prolixidade, é o uso de sinónimos. Veja-se a regra 6 do livro de Weston. Quando nos esforçamos por não repetir termos acabamos por obscurecer as relações existentes entre as diferentes premissas e a conclusão do nosso argumento. Um texto elegante não é um texto que sacrifica a clareza lógica à variedade lexical; um texto elegante é aquele que sem sacrificar a clareza lógica não é todavia repetitivo.

Desidério Murcho

26 janeiro 2009

O Esplendor da Grécia Clássica

Quinhentos anos antes do nascimento de Cristo, as pequenas cidades-estado da Grécia emergiram do período arcaico para iniciar uma das transformações culturais mais espectaculares na história do mundo Ocidental.(...) Dois Mil Anos depois, o mundo moderno contempla Atenas e reconhece o seu eterno legado cultural. (...) A filosofia, a Arte e a Ciência juntam-se para formar uma civilização cuja influência marcará o desenvolvimento da civilização Europeia.

In Grécia - O Esplendor da Grécia Clássica (DVD)
Círculo de Leitores

12 novembro 2008

Billy Elliot

Billy Elliot tem um grande sonho: o de dançar. Apesar do seu pai, um mineiro de Durham, insistir para que o filho aprenda lições de boxe, actividade para a qual este não tem especial jeito.
Este é mote para uma história interessantíssima cujo enredo se situa num bairro operário inglês, durante o período de greves gerais da Inglaterra em 1984.

Da crítica familiar à pressão social da comunidade, Billy tudo enfrenta para realizar o seu sonho de pertencer ao Royal Ballet.´

Em que medida este filme nos remete para o "processo de socialização", para o papel dos "agentes de socialização" e "conflitos entre agentes de socialização", para a questão da "integração social" e dos "mecanismos de controlo social"?

21 outubro 2008

A ciência está a tornar-nos biónicos?

João Pereira, de 32 anos, amputado da mão esquerda, é desde esta segunda-feira o primeiro português com uma mão biónica, ou seja, uma mão eléctrica que lhe permitirá, depois de «muito treino e paciência», realizar movimentos com todos os dedos.
A mão biónica entregue a João Pereira, distingue-se das restantes próteses eléctricas convencionais por permitir "o movimento harmonioso de todos os dedos da mão e a rotação do polegar". Foi desenvolvida por um grupo de investigadores escoceses, sendo composta por cinco motores independentes -um por cada dedo da mão. Cada dedo pode suportar até oito quilos e a mão permite dobrar, tocar, apanhar e apontar, aproximando-se dos movimentos da mão humana. Os gestos da mão são possíveis graças a placas de eléctrodos que detectam sinais eléctricos gerados nos músculos remanescentes do membro amputado.

14 outubro 2008

A ciência é imparcial?

Poderá a investigação científica ser realmente imparcial? A resposta óbvia é que não pode ser inequivocamente imparcial porque a ciência é feita por seres humanos e instituições humanas, que estão sujeitos à habitual cegueira facciosa.Mas há uma grande, uma imensa diferença entre ver que a ciência, como tudo o resto, não pode ser inequivocamente imparcial, e celebrar esse facto alegremente. Isto é o primeiro passo para o totalitarismo; se tudo é inequivocamente faccioso, até a ciência, então eu tenho o direito de defender com unhas e dentes os meus interesses, que têm uma vantagem final que nenhuns outros interesses têm: são meus. Por outro lado, qualquer análise superficial das instituições científicas mostra que estas estão em parte feitas de maneira a contrariar a parcialidade e a procurar a máxima objectividade (leia-se em português, a este respeito, o prólogo de Jorge Buescu do seu livro O Mistério do Bilhete de Identidade). Fingir que não há diferença entre as instituições científicas e as religiosas, por exemplo, só pode ser fruto de confusão mental ou do tipo de facciosismo cego que está na moda imputar à ciência.Precisamos de estar vigilantes, de procurar a verdade das coisas, de denunciar a mentira, a prostituição da ciência para fins políticos e ideológicos. E nesta tarefa nada nos ajuda a declaração sofística, baseada em imaginadas autoridades filosóficas, de que tudo é inequivocamente faccioso e que a objectividade é um mito. Argumentar que X não existe porque não existe um X puro é o tipo de falácia contra a qual temos de estar precavidos, pois é dela que nasce a ideia pós-moderna de que devemos celebrar a ideologização da ciência, da filosofia, da história e talvez até das quecas. Do facto de ninguém ser puramente bom, não se segue 1) que não há pessoas boas, e umas mais que outras, nem 2) que devemos celebrar a maldade, a inveja, a perversidade e a pura manipulação desavergonhada, nem 3) que não devemos procurar ser boas pessoas, dentro das nossas muito humanas limitações.

Desidério Murcho,

publicado em De Rerum Natura

A verdadeira forma do Silogismo Aristotélico - Texto de Apoio

10 outubro 2008

Vídeos Filosofia


No youtube pode encontrar alguns vídeos sobre Filosofia. A série brasileira "Ser ou não ser", produzida para a TV, embora não apresente boa qualidade técnica, no entanto é interessante sob o ponto de vista pedagógico.

Veja este exemplo sobre Platão:


Programação das AULAS DE FILOSOFIA - RTP Madeira com o Prof. Rolando Almeida

Podes aceder às aulas de Filosofia da RTP Madeira, lecionadas pelo Prof. Rolando Almeida (na foto), acedendo aos links abaixo.  TELENSINO (R...