03 outubro 2009

O vídeo da Semana



Será que vamos mesmo dar a volta a isto?

Ou seja, será que vamos continuar a analisar acriticamente as ideias que nos vão chegando das diferentes "autoridades"? Ou vamos analisar cuidadosa e imparcialmente aquilo que contribui (ou não) diariamente para o nosso crescimento pessoal e social?

Conhecimento "a priori" e conhecimento "a posteriori"

O conhecimento a posteriori e a priori são modalidades epistémicas. Uma proposição é conhecível a priori se, e só se, pode ser conhecida sem o concurso da experiência empírica. Assim, 2 + 2 = 4 é uma proposição conhecível a priori porque posso conhecê-la recorrendo unicamente ao pensamento. Mas para saber que a água é H2O tenho de me socorrer da experiência empírica — não posso fazê-lo recorrendo unicamente ao pensamento. (…)
Todo o conhecimento proposicional é uma relação entre um agente cognitivo e uma proposição que é por ele conhecida. Logo, também o conhecimento a priori é uma relação entre um agente cognitivo e uma proposição que é por ele conhecida. Assim, um modo mais rigoroso de definir conhecimento a priori é o seguinte:
Uma dada proposição é conhecível a priori por um dado agente cognitivo se, e só se, esse agente pode conhecer essa proposição sem recorrer à experiência empírica.
Posto isto, considere-se as seguintes duas frases:
1) Se Sócrates era um ser humano, era um ser humano.
2) Sócrates era mais pesado do que Platão.
Os recursos envolvidos para poder conhecer o valor de verdade destas frases diferem substancialmente. No primeiro caso, basta raciocinar; no segundo, é preciso recolher informações históricas sobre Sócrates e Platão. No primeiro caso, o agente cognitivo limita-se a pensar; no segundo, é preciso consultar documentos, testemunhos e estudos.
No entanto, para que alguém saiba que a primeira frase é verdadeira tem de compreender as palavras que nela ocorrem. Se um polícia chinês que nada saiba de português for confrontado com uma inscrição desta frase num bloco de notas de um presumível assassino, terá de consultar dicionários e gramáticas, ou falar com pessoas que saibam português. Só depois desta actividade empírica poderá o polícia chinês perceber que a frase é verdadeira. Todavia, isto não impede a frase 1, que exprime uma verdade lógica elementar, de ser conhecível a priori.
O conhecimento do significado das palavras, apesar de claramente empírico, não torna a frase 1 unicamente conhecível a posteriori. Continua a existir uma diferença crucial entre o tipo de experiência necessário para determinar o valor de verdade das frases 1 e 2. O conhecimento necessário para determinar o valor de verdade da frase 1 é meramente linguístico; o conhecimento necessário para determinar o valor de verdade da frase 2 é extralinguístico.
A experiência empírica necessária para compreender o significado das palavras não conta. Esta decisão não é arbitrária. Para determinar o valor de verdade de qualquer frase, seja ela qual for, é necessário ter um conhecimento, que terá de ser empírico, do significado das palavras envolvidas. Logo, se não aceitássemos a nossa decisão, a categoria do conhecimento a priori ficaria vazia. No entanto, é óbvio que há uma diferença substancial entre saber que se Sócrates era mortal, era mortal e saber que Sócrates era mais pesado do que Platão. No primeiro caso não temos de possuir qualquer informação factual além da linguística; no segundo, a informação linguística, só por si, não é suficiente para determinar o valor de verdade da frase. Logo, há uma distinção que deve ser mantida e que corresponde à divisão tradicional entre conhecimento a priori e conhecimento a posteriori.
Há uma excepção adicional. As verdades da aritmética e da lógica são, tipicamente, susceptíveis de ser conhecidas a priori. No entanto, podemos ser incapazes de determinar por puro raciocínio que uma fórmula como {(p v q) Λ [(p ® r) Λ (q ® r)]} ® r é logicamente verdadeira. Para determinar o valor de verdade desta fórmula, podemos ter de fazer uma tabela de verdade. Todavia, o conhecimento assim obtido é ainda a priori. Fazer uma tabela de verdade é uma mera extensão da capacidade de cálculo; nada diz sobre o mundo para além da tabela de verdade. Apesar de podermos ter de recorrer a papel e lápis para realizar alguns cálculos complexos, como equações ou fórmulas lógicas complexas, o resultado é conhecido a priori. (…)

Desidério Murcho

19 março 2009

Uma verdade inconveniente!

Há muito que os assuntos ambientais deixaram de ser matéria vaga para os “ambientalistas”. Este é um problema que toca a todos.
A factura ambiental resultante do estilo de vida do mundo ocidental tem vindo a crescer, e os políticos colocam-nos perante a falaciosa escolha entre o equilíbrio ambiental do planeta e o bem-estar material. Ora, o bem-estar material não existirá sem o planeta.
A verdadeira questão que se coloca é: como poderemos alterar o nosso modo de vida de forma a que no futuro tenhamos qualidade de vida, incluindo o bem-estar material?
Maura Paixão

Deixa aqui o teu comentário, depois de teres visualizado o filme.

11 fevereiro 2009

Socialistas querem discutir eutanásia em Portugal


Um grupo de deputados socialistas apela à abertura de um debate sobre a eutanásia no país. Segundo a TSF, a proposta faz parte de uma moção de Marques Sá ao congresso do PS marcado para o final do mês, e é subscrita por 26 militantes destacados, entre eles Almeida Santos e o secretário de Estado da Saúde Manuel Pizarro.“Fará sentido no final da nossa vida ficarmos reféns do nosso corpo em detrimento da nossa liberdade e da nossa vontade?”. Marques Sá lança assim a questão, em declarações proferidas esta manhã, defendendo uma discussão entre sociedade civil e médicos para se chegar a uma solução sem pressões, como aconteceu recentemente em Itália.«Tem que ser discutida de forma calma, serena, com bom senso e nunca em situações de pressão ou com casos concretos», disse Marques Sá, referindo-se ao caso Eluana Englaro, a quem foi retirada a alimentação artificial após 17 anos em coma. Eluana morreu na passada segunda-feira, conforme vontade da família, no meio de uma contenda política.


11.02.2009 - 09h26 PÚBLICO

10 fevereiro 2009

O aquecimento global e os incêndios na Austrália


Miguel Cruz trabalha no Commonwealth Scientific and Industrial Research Center (CSIRO), organismo estatal australiano que se dedica à investigação e estudo dos recursos naturais.

Como se deu esta frente brutal de incêndios?
Verificaram-se condições extremas de clima que nunca tinham ocorrido, e que tornam impossível parar os fogos. Em 1939 e 1983, ouve condições similares, mas desta vez foram muito piores. E a única coisa que se pode fazer é esperar que desapareçam. No sábado estavam 46 graus em Melbourne, numa vaga de temperaturas altíssimas que se arrastava há mais de uma semana, e uma taxa de humidade muito baixa, de cinco por cento, e ainda ventos muito fortes, vindos do Centro do país. São extremamente secos e quando encontram uma frente pelo caminho, invertem rumo em 90 graus. Qualquer flanco de incêndio, normalmente alongado, transforma-se numa cabeça muito maior, incontrolável.

Por que fez tantos mortos?
Na Austrália, as pessoas estão preparadas para enfrentar fogos. É um fenómeno que faz parte da vida neste país, é frequente haver casas consumidas pelos incêndios. Ainda na semana passada arderam 30 no estado de Vitória - o que é, para os padrões australianos, um número aceitável, faz parte da normalidade. Por isso, todos estão conscientes das medidas de segurança a seguir: ou os locais são evacuados atempadamente, antes das frentes de incêndio chegarem perto das casas, ou as pessoas ficam para combater os fogos. Mas este fim-de-semana ninguém estava à espera daquela proporção, e as pessoas ficaram nas suas casas, sem percepção real do que iam enfrentar; já tarde de mais, surpreendidas pela velocidade e dimensão dos fogos, partiram em pânico e muitas morreram presas nos engarrafamentos, perdidas no fumo.

Pode dizer-se que há uma relação directa entre estes fogos e o aquecimento global?
É consensual que há uma nova realidade climática na Austrália, apesar de os fogos florestais serem um fenómeno natural. As previsões, de resto, são de que as condições climáticas extremas vão agravar-se, apesar de haver muitos cépticos em relação ao impacto das alterações climáticas. A Austrália tem a taxa de emissão de dióxido de carbono per capita mais elevada do mundo [11 toneladas em 2008, por classificação do think tank Center for Global Development], mas, com 21 milhões de habitantes, é responsável apenas por 1,5 por cento das emissões globais de gases causadores do efeito de estufa. Há alguns movimentos políticos, como os Verdes, e ambientalistas que pressionam o Governo australiano, e é de esperar que essa pressão se acentue. Mas não se está a fazer aproveitamento político da tragédia.

Jornal Público, 10 Fevereiro 2009
D.F.

Programação das AULAS DE FILOSOFIA - RTP Madeira com o Prof. Rolando Almeida

Podes aceder às aulas de Filosofia da RTP Madeira, lecionadas pelo Prof. Rolando Almeida (na foto), acedendo aos links abaixo.  TELENSINO (R...